Por Jânsen Leiros Jr.
Brilhou o ouro!
Nos pênaltis, Brasil vence Alemanha e conquista medalha inédita. Após empate em
1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, seleção olímpica conta com defesa de
Weverton e 100% de aproveitamento nas cobranças para vencer.
G1 – 20/08/2016.
Enfim o tão sonhado e esperado Ouro Olímpico
no Futebol. O título que faltava à seleção do país do futebol. Um contrassenso que
insistia em nos fazer sentir fracassados no esporte em que somos os maiores campeões
mundiais. Ou será que esse sentimento é que era uma enorme incoerência, já que
um único título a menos numa parede repleta de conquistas, não deveria nos
fazer tanta falta assim. Ou deveria? Não importa também; somos campeões olímpicos
e o mundo vai ter que nos aturar. Continuamos
a ser o país do futebol, mas também sendo o da Canoagem, da Vela, do Box, do
Tiro, do Vôlei de Praia e Vôlei de Quadra, e de tantos outros esportes em que
brilhamos, ainda que sem apoio, patrocínio ou atenção de qualquer instituição.
Mas a Rio 2016 não trouxe somente essas
conquistas, quer sejam douradas, prateadas ou bronzeadas. Há outras conquistas
e grandes feitos, que ficarão como legado desses Jogos Olímpicos, e não estamos
falando de ginásios, estádios e das obras e soluções de transporte público
realizadas para essa finalidade. A apenas um dia do encerramento do maior
evento esportivo do planeta, o maior legado deixado para a cidade do Rio e para
o Brasil, foi a recuperação da autoestima de um povo que, até bem pouco tempo,
envergonhava-se das condições sócio econômicas e políticas que vinha vivendo.
Uai, mas alguma coisa mudou? Houve
inclusão social, melhoria da qualidade de vida dos mais necessitados, aumento
da oferta de empregos, aumento do PIB nacional, ou redução dos casos de políticos
corruptos e empresários corruptores? Não, claro que não. Nossas condições
sociais, econômicas e políticas não mudaram nesses quase dezoito dias de
evento. Mas uma coisa mudou e mudou flagrantemente. Recuperamos o orgulho de
ser carioca, e o prazer de ser brasileiro.
Em virtude de tudo que vínhamos
vivenciando nos meses que antecederam aos Jogos, o próprio evento foi cercado
de pessimismo incontestável. Todos nós críamos que passaríamos uma vergonha
mundial, com problemas que ocorreriam desde a organização do evento, até o péssimo
estado de acabamento das instalações disponíveis aos atletas e comissões técnicas.
E a poucos dias da abertura, já com na chegada das delegações, incidentes como
o ocorrido com a delegação da Austrália serviu-nos de prenúncio de um grande
fracasso do evento. Para quase todos nós, anunciava-se um grande fiasco.
Bastou, porém, que a cerimônia de
abertura fosse considerada um sucesso pela mídia mundo afora, para todos os
maus presságios fossem abandonados, sendo trocados por um orgulhoso sentimento
de que sabemos fazer festa como ninguém.
E não é mesmo que a cerimônia de abertura foi um espetáculo de criatividade e
realização? A partir de então, a má vontade com o evento foi trocada por uma
simpatia incansável com tudo que se referia ou se sofria em função da Rio 2016.
Sim, porque nós cariocas, que tivemos a cidade virada de cabeça para baixo, causando-nos
diversos transtornos em nossa rotina, aturamos quase tudo com bom humor e paciência.
Afinal, estávamos com visitas em casa.
Segurança reforçada, e um excelente sincronismo apresentado pelo comitê responsável
pela realização dos jogos, minimizaram o desconforto ao nível do aceitável. E,
quase no final, podemos dizer que tudo acabou bem. Muito bem!
E aí está o que entendo ser um dos
nossos maiores legados do evento; agora sabemos que sabemos fazer. E não
estamos falando de festas ou cerimônias. Estamos falando de tudo o que envolveu
a realização dos Jogos. Brasileiro quando quer faz, está mais que provado.
Quando quer se esforça e luta. Se perde, perde lutando. Se se empenha, vence. E
por mais improvável que seja, pode chegar ao lugar mais alto do pódium. Nosso quadro de medalhas está repleto
de exemplos disso; empenho, determinação e superação.
Mas não falo só de medalhas. A segurança
pública nesses dias não foi exemplar? O cuidado do cidadão em manter a cidade
limpa, de ser atencioso com turistas, de respeitar faixas exclusivas... Não
correu tudo bem? E por que então não funcionam assim fora do evento, uma vez
que o mesmo povo que realizou e vivenciou os dezoito dias dos Jogos, é o mesmo
que vive os 365 dias do ano, numa cidade caótica e insegura? Nós sabemos fazer;
quando queremos. Nossa autoestima esteve tão em alta, que sequer aceitamos a
mentira mal contada pelo nadador norte-americano sobre assalto; aqui não! Mais do que rechaçarmos a
mentira sobre um fato, não aceitamos ser vítimas de nossa própria fama de
cidade perigosa. Afinal, de certa forma sabíamos que não seria possível tal
acontecimento. Não durante as Olimpíadas do Rio.
E não bastasse acender a chama de nosso orgulho
carioca e também brasileiro, com o fogo da pira olímpica, mais essa agora;
campeões olímpicos no futebol, o título que nos faltava, coroando nosso esforço
de realizadores dessa festa esportiva monumental. Coroando e apontando para
nossa capacidade de fazer, desde que queiramos. Talvez nos faltasse isso,
querer. Querer requer fazer. Tirar do papel, dar vida ao sonho. Querer requer
empenho em tornar real aquilo que se pretende. Quisemos, e se quisemos podemos
querer outras inúmeras vezes. Bastará querermos.
Acredito que a partir de agora,
precisaremos discordar com veemência toda vez que frases derrotistas forem
pronunciadas perto de nós, como aqui é
Brasil, esse pais não tem jeito, tudo no Brasil acaba em samba (ou em
pizza), entre outras, sempre passando a ideia de que nosso país não tem jeito. Porque vimos que tem. Vimos que sabemos e
conhecemos o caminho. Sabemos como. O que nos falta como nação é vontade.
Vontade de fazer diferente, vontade de fazer melhor, empenho para realizar além.
Parece que tínhamos medo do sucesso. Mas agora não mais. Realizamos um evento extremamente
bem-sucedido.
Não espero que a mudança de atitude
venha dos políticos. Eles jamais mudarão o que lhes convém. Não espero tão
pouco de governantes. Estão preocupados demais com privilégios e vantagens que
lhes garantam perenidade no controle do dinheiro público. Mas espero que a
mudança comece em cada cidadão, em cada profissional e em cada empresário. A
sociedade precisará questionar-se sobre o por que não é o que fomos por esse tempo. Podemos ter melhores
transporte, melhores condições de saúde. Podemos viver com mais segurança e
termos uma cidade mais agradável. Sabemos e podemos lutar por essas coisas. Sobretudo
sabemos como realizar coisas assim tão grandiosas.
Não precisamos mais achar que nadamos,
nadamos e morremos na praia. Não precisamos mais achar que determinadas
conquistas não foram feitas para nós. Somos Ouro, somos olímpicos. Soubemos
fazer direito. Não precisamos mais ser o patinho feio. Saberemos ser campeões.
Que Deus abençoe nossa cidade do Rio de Janeiro. Que Deus abençoe o Brasil.
É disso que eu estou falando! Prazer enorme em ler esse texto. Alegria em dobro!
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