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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Sem messias ou Sassa Mutema


Por Jânsen Leiros Jr.

A notícia não é nova, mas o assunto é atual; o messianismo pretendido a um líder político. A ideia de um “salvador da pátria” não é nova, e parece ser uma espécie de esperança nacional recorrente, em particular no Brasil.

Sim, o “messias” da vez tem sido Jair Bolsonaro, que para intensificar o fato, tem Messias no próprio nome. Mas já ocuparam esse lugar no imaginário nacional, apenas como exemplos, Getúlio Vargas em meados do século XX, e mais recentemente na história da república, Luís Inácio, o Lula.

Essa ideia fixa de que a solução para os problemas da nação repousa sobre os ombros de um líder, não apenas tende a nos eximir inconscientemente da responsabilidade individual da qual todos nós deveríamos nos imbuir, mas também amplia em muitas vezes a pressão sobre o chefe do executivo, que se vê, na obrigação incondicional de acertar sempre e de não fraquejar jamais. Isso afeta diretamente sua capacidade de avaliação e julgamento de fatos e circunstâncias. Na esteira dessa condição, o líder se vê obrigado a parecer, e logo mais a se pretender, um super-homem; infalível, inatingível e todo-poderoso.

Na proporção inversa desse popular “endeusamento” - que me critiquem os puristas, a medida que os apoiadores do líder demonstram maior e mais incondicional devoção, seus opositores buscam por qualquer deslize, por mais tolo e inconsequente que seja, para manchar-lhe a imagem e desconstruir a visão de messianismo aplicado ao adversário político. Nessa saga pela “kriptonita” política, serve sujar a família, menosprezar a crença, generalizar comportamento de similares, ou mesmo rotular titulações acusatórias ou mesmo condenatórias infundadas, desde que ajudem a lotar de armadilhas o caminho do informalmente proclamado messias.

Não bastasse isso, que já seria mesmo muito e demais, os apoiadores de tal líder tenderão sim, a considerar que seus opositores lutam contra o “enviado de Deus”. Logo são hereges, e lutam contra Deus. Por iniciativa própria ou inconscientemente, são usados pelo “inimigo”, definindo lados e polarizando um enfrentamento; eles contra nós. O bem e o mal. Haverá quem diga que é Deus contra satanás.

Quem lê até aqui, pode pensar que falamos apenas do contexto atual em que o líder é Jair Bolsonaro. Sim, ele é em grande medida, o indevidamente aclamado messias da vez. Mas basta retrocedermos alguns anos em nossa história recente, que encontraremos Lula nas mesmas circunstâncias, sendo elevado à categoria de salvador da pátria. O líder de uma revolução social. Aquele que colocou “carne na mesa do pobre”, e que fez esse mesmo pobre “andar de avião”. Tudo construções imaginárias convenientes e casuístas, que garantiu-lhe o apoio popular incondicional, permitindo que se abancasse da condição de líder máximo do executivo, para promover poderoso aparelhamento do Estado, e um dos maiores assaltos aos cofres públicos da história da humanidade. Será que pretendemos repetir a dose, ou já somos adultos politicamente para acompanharmos com responsabilidade os passos de nossas lideranças?

Sim, Sardenberg tinha toda razão de estar preocupado à época dessa matéria, e de ainda estar, se for o caso, como nós também estamos, e desde antes das últimas eleições. Jair Messias Bolsonaro é Messias apenas no nome, e que fique apenas aí. Um ser humano comum e carente de apoio, até mesmo para corrigir eventuais equívocos, próprios de quem detém certo poder. Porque apoiadores também podem e devem discordar, sugerir correções, estarem atentos a desvios, ajudarem numa visão mais ampla. Porque e principalmente porque querem o bem do país e o sucesso do governo. Também os opositores podem e devem, e o termo é esse mesmo, “devem”, apontar falhas, sugerir alternativas, reclamar distorções. Tudo com vistas a um país melhor.

Está mais do que na hora de, em vez de governos, pensarmos em Estado brasileiro. Que pode alternar de administração, mas jamais deixar de saber para onde caminha e quais objetivos quer alcançar. Chega de vivermos de ícones políticos, de salvadores da pátria, de bem feitores nacionais, de um ideário Sassá Mutema.

Somos uma nação. Constituída de um povo que precisa amadurecer. Crescer economicamente para tornar-se sustentável, e capaz de caminhar com ou apesar de seus líderes.

O que precisamos é de uma pátria salva. Salva da miséria, da mesquinheis, da corrupção, das negociatas, das bravatas dos manipuladores, dos políticos de carreira, dos usurpadores do poder, dos que se elegem para servirem aos próprios interesses; a lista tenderia ao infinito.

Que sejamos todos “messias” para nós mesmos, construindo um país em que os líderes escolhidos, o sejam apenas para conduzir o Estado, um servidor eleito, escolhido para cumprir e construir o país que queremos ser.
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https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/260729/e-gravissimo-propagar-ideia-de-que-o-presidente-e-.htm?fbclid=IwAR0LCYj8_m9NsRbAh3Azp1YNXnJgKEAJlB4crrDIIZcwebz7DD8d-YQsBKg

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Qual das instâncias tem razão?


Por Jânsen Leiros Jr.

Os desembargadores do TRF4 decidem, não só manter a condenação do ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia, como aumentaram a pena anteriormente aplicada quando da condenação.

Isso significa que, na prática, houve plena confirmação de que a condenação do ex-presidente é pertinente e conta com a anuência da segunda instância.

Trocando em miúdos, a decisão do STF no início de novembro, não apenas livrou Lula da cadeia, como abriu espaço para suspeição das condenações na primeira e em segunda instância, permitindo nova romaria de ações da defesa, prolongando a tramitação dos processos e adiando ao máximo suas conclusões.

E pensar que, por conveniências pessoais e interesses particulares, quando não em causa própria, ainda há parlamentares indecisos quanto a prisão após condenação em segunda instância.

O que temem? O que pretendem? O que lhes causa dor? O bolso ou a consciência?


https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2019/11/27/relator-do-processo-sobre-sitio-de-atibaia-no-trf-4-vota-por-condenacao-de-lula-por-corrupcao-e-lavagem-de-dinheiro.ghtml

sábado, 22 de junho de 2019

Para bandido esperto, justiça sagaz


Por Jânsen Leiros Jr.


...O juiz já tinha condenado o Lula muito antes de dar a sentença. Na verdade, foi uma caçada, não um julgamento. Não acho o Lula nenhum santo. Mas está claro que o Moro também não é.

(Comentário em uma rede social, sobre o vazamento das conversas entre Sérgio Moro e MPF, divulgadas pelo site The Intercept)


Pouco importa se ‘Lula já estava condenado antes’ e que ‘houve uma cassada’; falamos do juízo de valor do comentário, e não da hipotética condição em si, claro. Todos sabiam de seus crimes. Todos sabiam de sua corrupção. Só não sabiam como pegar, como sustentar uma acusação. Como oferecer uma denúncia consistente. O trabalho deles foi direcionado a pegar o bandido de alguma forma. Com o que encontrassem, capaz de o incriminar.

Não se pode esquecer que o crime de corrupção é um dos mais difíceis de ser apanhado. Não há recibo de propina, não há movimentação bancária relevante ou nominal, não há nada que comprove cabalmente o crime. Trabalha-se, nesses casos, com indícios e a montagem de um quebra cabeça que conduz a um ‘leva a crer’ ou ao ‘tudo indica’. Tal, no entanto, não torna o delinquente inocente. Apenas demonstra o quão bem montado foi o mecanismo que viabiliza o crime.

Então as chamadas provas circunstâncias surgem ao longo do processo de investigação. Como um carro comprado com cheque de doleiro, obras em apartamentos e sítios pagas por empreiteiras “vencedoras” em licitações públicas, propriedades em nome de amigos, patrimônio incompatível com o histórico de remuneração regular, pagamento de palestras jamais realizadas, e por aí vai. Isolados, nenhum desses fatos são prova. No conjunto da obra, no entanto, notabilizam-se procedimentos corruptos que promovem tais vantagens.

Ora, alguém consegue puxar todas essas pontas do emaranhado processo de corrupção, sem organizar minimamente as frentes de atuação? E mais, não se pode esquecer, que não se estava tentando encontrar provas de um corrupto pé de chinelo qualquer, de um órgão público em uma cidadezinha do interior. Estavam lidando com um ex-presidente e com membros dos mais altos escalões da máquina pública brasileira. Pessoas que possuíam e que de certa forma ainda possuem fortes esquemas de aparelhamento do Estado, capazes de agir em larga amplitude, com poucos movimentos. Nessa escala de crimes, as falhas em um sistema de corrupção, se existem, são mínimas, e jamais os indícios são conclusivos por si mesmos. E quem ousa tocar nos poderosos?

Vale lembrar do caso de Capone, nos EUA, nos anos da Lei Seca. Esse criminoso liderou uma das mais violenta máfias já existentes no país. Todos sabiam que ele era o cabeça. Todos sabiam que ele era o mandante de centenas de mortes, cobranças de comissão, explosões, corrupções, e toda sorte de crime que se fizesse necessário, para a manutenção do império mafioso que havia montado. Era difícil pegar esse miserável. Ele vivia envolvido com a alta sociedade de Chicago, tinha amizade com poderosos políticos locais. Subornava policiais, secretários, promotores e juízes indiscriminadamente. Foi preciso chamar um agente de outra região, provavelmente fora do alcance de seus tentáculos corruptores, para tentarem pegar o indivíduo. A força tarefa que o pegou não tinha como prendê-lo pelos crimes que se sabia cometer. Foram buscar o contador da organização criminosa, e o acusaram de sonegação fiscal. E ainda assim, durante seu julgamento, foi necessário empreender ‘manobras’ judiciais para garantir lisura no processo, mantendo juízes e jurados longe dos subornos vantajosos daquele crápula. Poderíamos citar outros casos na história, mas vamos ficar com esse que já é bem emblemático.

Portanto, sim. Quando se lida com níveis extremos de crime bem estruturados e arraigados nos diversos níveis da máquina pública e das conveniências sociais, é preciso extrapolar os movimentos tradicionais com os quais o criminoso já conta, e agir adiante dele, à frente de sua capacidade de prever o movimento dos braços da lei. Como acontece com um criminoso em fuga. Ele dirige na contramão, ele atira em inocentes enquanto corre, ele derruba coisas, tudo para desviar a atenção de seu perseguidor, tentando retardá-lo e escapar da prisão. Mas quando há foco da autoridade policial que o persegue, então ela também avança na contramão, não se detém para socorrer o inocente atingido, e ainda faz um percurso mais inusitado que o próprio criminoso, apanhando-o adiante, por cercá-lo em manobra imprevisível e fora do comum. Alguém pode inocentar o criminoso ou invalidar sua prisão, porque o policial em rota de captura entrou pela contramão, passou com sua viatura por cima da calçada, e não parou pra socorrer o inocente atingido pelo bandido?

Temos na história da crônica policial brasileira fatos diversos com esse perfil. Lembro-me de um policial que, disfarçado de repórter, aproximou-se do bandido que mantinha uma pessoa como refém, e sob a mira de seu revólver. Fingindo-se cinegrafista de uma emissora de TV, o policial aproximou-se cuidadosamente e num ato de extrema destreza, desarmou o bandido e liberou a refém. Ora, a prisão se faz nula, uma vez que o policial utilizou de disfarce? Alguém o acusou de falsidade ideológica? O bandido foi inocentado pela forma com que se deu sua prisão? Ou ainda, o policial foi criticado ou considerado suspeito por sua conduta habilidosa com que impediu a morte de uma refém? Não né? Tempos em que a polícia era o herói e o bandido... bandido.

A verdade é que não havia qualquer possibilidade de pegar o criminoso Lula da Silva, se não fosse por processo bem alinhado e tratado nos detalhes, exatamente para que ele não escapasse pelo uso das filigranas processuais. O que tentam aqueles que querem acabar com a Operação Lava Jato, é utilizar o rigor das condutas éticas processuais, sabidamente flexibilizadas na prática, a favor do criminoso e contra a autoridade que o denunciou, e o juiz que o condenou. Mas a verdade, povo brasileiro, que não é possível agir com fofura com bandidos tão espertos, articulados, influentes e poderosos. Para crimes extremos, medidas legais, porém de sagacidade extrema!

sábado, 23 de abril de 2016

Declarações de arrepiar me deram medo de errar


Por Jânsen Leiros Jr.


Temer diz que não é amigo de Dilma e que não quer parecer conspirador.
“Nós não somos amigos porque ela não se considerava minha amiga”, declarou o vice.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/temer-diz-que-nao-amigo-de-dilma-que-nao-quer-parecer-conspirador-19144319.html#ixzz46hyIOjsu


Penso que minha posição de desconforto e indignação com o atual governo do PT não é segredo para ninguém. Por diversas razões que já declarei aqui, considero o governo Dilma, da metade do seu primeiro mandato até hoje, um dos mais desastrosos e desorientado comando que esse país já teve. A economia completamente afetada e a fragilidade política especialmente nesse segundo mandato, me fizeram tender, ainda que não muito convicto, a formar conceito favorável ao impeachment da presidente. Mas confesso que as declarações de ontem do vice-presidente Michel Temer me causaram arrepios e me deixaram muitas pulgas atrás da orelha.

Não é segredo para ninguém, que o PMDB se mantém na base aliada do governo do PT desde o primeiro mandato do então presidente Lula. E também não é segredo para ninguém, que Michel Temer há muito ocupa posição de comando e forte liderança dentro de seu partido, participando, inevitavelmente de todas as suas decisões e influenciando as escolhas e as diretrizes do partido. E sendo assim, e estando tão amplamente envolvido em indicações para ocupantes a cargos de diversos escalões do governo, tanto quanto a ministérios, como pode agora o vice-presidente querer se descolar da figura de governante, como se não tivesse qualquer responsabilidade sobre a situação em que se encontra o país, e ao mesmo tempo, surgir como uma espécie de conciliador dos interesses da nação?

Diante das declarações acima, foi inevitável pensar que talvez estejamos mesmo assistindo a uma engenhosa trama de conspiração, que visa impedir que tantos sejam alcançados pela justiça, nos diversos e promissores desdobramentos da operação Lava Jato. Não estaríamos nós todos, não obstante a legitimidade de nosso descontentamento com esse governo, servindo inocentemente de massa de manobra para esses crápulas que buscam fugir dos braços da lei e das ações do juiz Sérgio Moro? Confesso que isso passou a me incomodar muito nas últimas 48 horas.

Qualquer cidadão mais atento, e talvez mesmo o desatento, já ouviu dizer que Michel Temer teve seu nome citado em diversos depoimentos e em de delações premiadas no âmbito da operação Lava Jato. Assim como ele, diversas outras excelências, como Eduardo Cunha e Aécio Neves, entre outros, sendo o PP e não o PT, o partido com o maior número de políticos envolvidos nas apurações de corrupção e desvio de dinheiro público. Ora, por que será que a adesão dos citados ao processo de impeachment ocorreu com tanta presa após o PMDB desembarcar da base aliada do governo? Será que em todas essas manobras há indícios de casuísmo, ou eu é que estou vendo coisas? Não sei, mas ainda sinto arrepios.

Começo a temer que terminemos por legitimar a paralisação das investigações da operação da Lava Jato. Porque se algum mérito esse governo Dilma tem, foi o de efetivamente não interferir, ou pelo menos não conseguir interferir ou atrapalhar as investigações da PF e as ações do Procurador Geral da República. Mas o que esperar quando o governo for assumido por uma turma completamente implicada nas investigações, desde o eventual Presidente da República, até seu principais aliados políticos, facilitadores e sustentadores do... golpe?! Jamais pensei que acabaria dizendo uma coisa dessas, mesmo que por hipóteses.

Porque se a intenção com o impeachment é varrer do governo e do cenário político um partido que se demonstrou incompetente e corrupto, o que justificaria entregar esse mesmo governo e comando, a um grupo de políticos tão mais implicados e apontados como participantes da mesma corrupção? Não parece suspeito que haja tanta e repentina adesão a todo esse processo, exatamente dos que são citados nas delações premiadas? Qual a intenção de retirar do poder a presidente Dilma? Garantir de alguma forma a paralisação das investigações e salvar a própria pele?

Eu não sei quem é essa pessoa, ou eu nunca estive com essa pessoa, e agora nós não somos amigos. Tudo frase típica de quem tenta se descolar de alguém com quem esteve atado por interesses, quaisquer que sejam eles. Ao pretender parecer independente e não envolvido com absolutamente nenhum dos feitos desse governo, além de uma grande falácia, Michel Temer demonstra seu efetivo espírito de traição, aos laços que até bom pouco tempo lhe garantiram na posição de segundo mandatário da nação. Segundo ele sem qualquer envolvimento com a presidência, e por isso talvez não houvesse qualquer indicado do PMDB nos ministérios e nos primeiros e segundos escalões do governo. Só que não, como dizem meus filhos.

Portanto, creio que o impeachment seja inevitável. Mas começo a considerar que, se vamos sair do lodo, estamos prestes a meter os pés na lama. Que Deus tenha misericórdia desse país, e não permita que o tempo de expurgo da corrupção não esteja perto de morrer antes de efetivamente começar. Será muito ruim me arrepender de ter pretendido a coisa certa.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um simples sinistro de Perda Total


Por Jânsen Leiros Jr.


Eu fui PT
Empunhei bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha, fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles das campanhas de Lula
Me irritei com as seguidas derrotas
Gritei fora Collor, fora FHC e até fora Globo
Chamei o plano real de golpe
Falei que o “bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.

Eu fui PT por que tinha que ser
Eu sou trabalhador, e não democrata, nem liberal, nem comunista
Então o partido do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a faculdade, e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.

Eu fui PT por ideologia e não fisiologia.
Não ganhei um centavo, não viajei de graça, não estudei de graça, e nem acho graça nas coisas de graça.
Eu nunca achei golpe o pedido de impeachment de Collor, nem os diversos pedidos manejados contra Itamar ou FHC.
A constituição atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o presidente, e eu acho isso extremamente democrático.

Eu fui PT
E no ano de 2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase:
“A Esperança venceu o medo!” Eu estava trabalhando na madrugada daquele natal!

Eu fui PT,
E se as redes sociais existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys, ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, eles não são mais PT

Fui PT até quando deu pra ser. Até o dia que o “T”de trabalhador foi substituído pelo “T”de trapaça, de trambique. Por que não de Traição.

O partido dos trabalhadores se agarrou ao poder, e abraçou Renan, Sarney, Collor e até o Maluf, criou fantasias e contou mentiras, soltou a mão de pessoas honestas e sérias, e foi aí que deixei de ser PT.

Eu deixei de ser PT, e me surpreendo com você
Que contesta o fato de Cunha ser o condutor do impeachment
Mas jamais contestou o fato dele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB

Eu deixei de ser PT, e me decepciono com você
Que acusa Temer de ser golpista e bandido,
Mas jamais contestou o fato dele ser, desde o primeiro mandato, o vice presidente escolhido por Dilma

Eu deixei de ser PT, e me assusto com você
Que ao ouvir uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de uma delação pautada em provas, limita-se a falar em vazamento seletivo.
Que de frente a evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e o Juiz.

Eu deixei de ser PT, e me envergonho de você
Que aplaude políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na cadeia como se fossem vencedores e não ladrões
Que afirma que o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita por outros.

Eu deixei de ser PT, e me incomodo com você
Que vai as manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas, e enormes palcos, tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.

Eu deixei de ser PT, e não entendo você
Que fala em defesa da democracia, e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso eleito pelo povo.
Que fala em voto livre, mas aceita a compra parlamentares com cargos e dinheiro

Eu deixei de ser partido, continuo trabalhador... e você?
por Márcio Augusto Costa; 16/04/2016; Brasília DF


Quando em rodas de amigos insisto que o maior algoz do PT foi o próprio partido, seus defensores de plantão me criticam e quase me queimam em praça pública; logicamente falo dos extremistas. Tem gente muito boa ainda no PT. Mas como defendo ardorosamente, a crítica é um direito inalienável de todo ser humano. E da mesma maneira que gosto de garantir o direito a crítica de tudo que escrevo e digo, também me dou o direito de dizer abertamente o que penso, tanto quanto me reservo ainda mais o direito de criticar a conduta de um partido político que, antes de mais nada, como entidade pública, está mesmo a mercê de toda e qualquer crítica e comentário, qualquer que seja seu teor e natureza. Não há entidade pública acima do bem e do mal. Não é sacrilégio algum criticar o PT, o PSDB, o PCdoB ou qualquer outro partido político. Grande ou mesmo os chamados nanicos.

E ao utilizar o texto acima como base desse comentário, o faço por estar muito próximo de meu pensamento muito particular sobre a anatomia da derrocada desse partido no âmbito federal, que já foi depositário das esperanças mais legítimas e dos sonhos mais genuínos da classe trabalhadora, dos menos favorecidos, das minorias, e de todas as classes que o tinham como fiel defensor de seus interesses mais básicos.

Estou convencido de que tal descida ladeira abaixo iniciou-se na perda de seus princípios básicos e de seus expoentes efetivamente pensantes, no que diz respeito a pertinência e legalidade de suas lutas. Assim trocou-se a honestidade pela conveniência, e a consistência da virtude, pelo pragmatismo de resultado. Não deve ter sido sem motivos, que de lá saíram Hélio Bicudo, Plínio de Arruda Sampaio, e tantos outros fundadores, que tinham a romântica mas legítima pretensão de criarem uma sociedade mais justa e igualitária. Nem entro aqui no mérito de suas convicções político-sociais e econômicas, pois para defendê-las é que se constituem partidos diversos.

É óbvio que oportunistas de plantão se promovem e se promoverão às custas dessa triste realidade. E tentarão e até conseguirão tomar de assalto o poder e o governo que lhes foi confiado pelo voto desde o primeiro governo do Lula. Mas fazer o quê? Pois se por um lado falta até agora um argumento mais enfático para um impedimento da presidente Dilma, sobram oportunidades e brechas deixadas pelos passos aloprados de seu quadro político, que se perdeu na ambição de saquear os cofres públicos e tudo o mais que viram pela frente. Agiram como gafanhotos que devoram uma lavoura prestes a ser colhida.

Não, eu não fui petista. Diferentemente do autor do texto acima, a única vez em que votei no PT, foi no segundo turno contra o Collor, quando este foi eleito. De lá pra cá, nunca mais votei no PT; falo para presidente. Mas sinceramente, vi com muita simpatia a vitória de Lula quando de seu primeiro mandato. Eu pensava que não poderia ser tão ruim assim, como efetivamente não foi, um governo presidido por alguém que convivera de perto com as dificuldades mais reais e prementes do povo brasileiro. E quem em sã consciência pode negar que o primeiro governo do Lula foi um tempo de bons ventos para o Brasil. nem discuto aqui condições econômicas ou políticas, pois não é esse o mote desse comentário.

É impossível não reconhecer alguns importantes ganhos sociais adquiridos nesses tempos petistas. A própria autoestima da população estava diferente e havia alegria flagrante no eleitorado que se sentia satisfeito de perpetuar no poder, aqueles que entendiam estar lutando por suas vidas e suas necessidades. Mas o encanto acabou. E os repetidamente apregoados cinquenta e quatro milhões de votos de confiança, se foram penúria abaixo, à medida que os programas sociais não conseguem ser honrados, os repasses para estados e municípios não conseguem ser realizados, e os programas de incentivo à educação deixam milhares de mensalidades em aberto e outros tantos milhares de boletos chegando nas casas de quem dependia do apoio amplamente vaticinado como conquista. Conquistas essas arrancadas pelos próprios doadores. Simplesmente não há recursos para honrar tais compromissos. Por que será??

A sensação que fica, e eu digo sensação porque longe de poder ser verdade absoluta, é que os protagonistas de toda essa farra e desmandos, tinham como impulso último, uma vingança coletiva contra uma sociedade que lá atrás, não teve forças para defendê-los, nem com eles lutarem com armas contra a direita e contra a ditadura. Porque tenho dificuldade de aceitar que apenas ganâncias os tenha motivado. Até para ela, a ganância, há limites de comportamento. Mas o sentimento de vingança é insaciável. E o desejo de criar prejuízo como paga por um remorso não tem fim.

O Partido dos Trabalhadores precisará se reinventar. Passar-se a limpo. Se ele for maior que seus componentes, ele saberá dar fim a essa era triste da perseguição aos interesses de alguns, em detrimento do bem de todos. Do contrário morrerá na história, ou será tão igual quanto esses partidos de conveniências aos quais tanto critica, ou àqueles que hoje, oportunistas e convenientes, são por seu próprio quadro chamados de golpistas.

Acredito, portanto, que pesa sobre o PT mais do que os fatos insofismáveis a que assistimos em todo o processo político e judicial recente. Para quem minimamente conhece o funcionamento de ações comerciais, sabe que as descobertas da Lava Jato não têm nada de fantasiosas. O que pesa mais sobre o PT, é a decepção dos mais de cinquenta e quatro milhões de brasileiros, que se flagraram lutando honestamente por uma causa, que talvez jamais tenha existido nas intenções sinceras de suas lideranças. Porque nunca antes na história desse país, tantos decepcionaram tão profundamente a tanta gente.