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quinta-feira, 25 de junho de 2020

Chutes, caneladas e pontapés. Assim nas ruas como nas redes.

Manifestações pró e contra Bolsonaro

Por Jânsen Leiros Jr.

Em tempos de polarização acirrada e quase insana, é um risco imenso tentar caminhar por uma terceira via. O compromisso com aquilo em que se acredita, contudo, exige coragem para tanto. Não posso me furtar a isso.

Não há dúvida de que certos movimentos do atual governo são bastante fora de um prumo minimamente coerente, para não descer fundo em qualquer juízo de valor. Além disso, não há como negar que existem circunstâncias obscuras em todos os envolvimentos revelados, relativamente a Queiroz e seu comprometedor networking; para também não falarmos sobre qualquer suposição ainda não comprovada ou investigações não concluídas.

Soma-se a isso as contumazes falas impulsivas e inadequadas de nosso presidente em circunstâncias impróprias, que geram desconfortos e grande mal-estar com boa parte da sociedade e opinião pública.

Ninguém, portanto, pode fechar os olhos para tais fatos e acontecimentos, que veem fragilizando a posição do atual governo, dentro e fora do país.

Por outro lado, porém, é muito importante lembrarmos que, se em grande parte Bolsonaro foi eleito por cidadãos que pensam igualmente a ele ou se aproximam da maioria de suas ideias, outro grande contingente de eleitores de sua chapa, votou  impulsionado pelo enfado e indignação com a montanha de corrupção que grassa o país sabidamente há anos, muito antes dos anos de governo do PT.

Sim, o PT, pasmem, não deu o pontapé inicial na direção da corrupção. Também não foi nem de perto o maior operador dela. Mas sem sombra de dúvidas foi no período de seu governo, que o mecanismo de corrupção mais se alastrou e se aprofundou, uma vez que os dutos de sangria de dinheiro público, tornaram-se operacionais em níveis jamais vistos, espraiando-se pelos mais diversos seguimentos, instâncias e escalões do poder público. Não sem larga e decisiva participação de partidos da base aliada, e de empresas privadas de diversas categorias e porte. A corrupção no Brasil é maior e mais que o PT. E mais endêmica que qualquer vírus.

Logo, pensar na polarização como modelo de debate, e nas redes sociais como lugar de embate é, no mínimo, desprezar circunstâncias e motivações que se impuseram no tempo e nas urnas em 2018, e que vão muito além de nossos impulsos apologéticos, ou gritos de guerra de torcida organizada.

Temos hoje uma guerra política travada à semelhança de uma batalha campal, onde mortos e feridos tombam de lado a lado, sem nem mesmo entenderem, na maioria das vezes, o por que de tantos chutes, caneladas e pontapés. Se muito, consideram-se apenas uniformes e bandeiras; ideias e ideais seguem desconhecidos, ou apenas repetidos à semelhança dos papagaios. Vamos descansar os bichinhos nomeados à exaustão...

A verdade é que o primeiro princípio democrático, já que defender a democracia está tão na moda, é o livre e inquestionável direito de escolha do candidato, respeito ao voto alheio, e a submissão à decisão da maioria. E a maioria, gostemos, ou não, escolheu à época Bolsonaro. Coisa que não foi aceita desde o resultado do pleito de 2018, nem pelos que foram vencidos nas urnas, nem pelos que se entenderam prejudicados em suas pretensões escusas e pouco republicanas.

Ora, era para estarmos, como “gatos escaldados”, com “as barbas de molho”. Do mesmo jeito que forçaram entendimento para chegarem a motivos legais que pudessem sustentar o impeachment de Dilma Rousseff (sempre fui contra sua saída pelas mesmas razões democráticas aludidas acima), agora fazem com Bolsonaro, perseguindo-se o mesmo desfecho. Não cabe aqui qualquer discussão sobre motivações e circunstâncias. Mas podemos fazer perguntas mais intrigantes. A quem ela atrapalhava? A quem ele atrapalha?

Para toda grita exacerbada há um motivo camuflado. A quem interessa a manutenção do “status quo” do aparelhamento do Estado, da sangria de dinheiro público, e dos privilégios àqueles que deveriam servir à nação, em vez de se servirem dela? A sanha pelo dinheiro maldito é tão grande e sôfrega, que mal a União dotou Estados e Municípios de verbas emergenciais, e logo fraudaram os gastos com instalações, equipamentos e recursos, que se destinavam a salvar vidas nesta pandemia. Quanta gente sofreu ou mesmo morreu na esteira de mais essa corrupção? Há alguma ideologia em tais atos, ou apenas ganância visceral e desejo de avançar sobre o erário?

De modo que precisamos entender. Nossa luta política não é contra bandeiras. Sequer é contra ideias. Mas contra interesses e conveniências que, acreditem, pouco ou quase nada se importam com ideias, filosofias, princípios ou ideais. Ou alguém tem dúvida de que, caso Bolsonaro governasse calado, tivesse sangue de barata para negociar o fatiamento do Estado, e fosse liberal com as verbas públicas, ele estaria sendo elogiado, ou minimamente mantido pelo casuísmo dos poderosos da nação?

E enquanto nós brigamos nos porões dessa embarcação, cuidando que defendemos alguma coisa, nos ocupamos e nos distraímos com traquitanas lúdicas, enquanto as lideranças de sempre maquinam os próximos passos na direção de seus favorecimentos, em detrimento de nossa dignidade social e subsistência nacional.

Direita e esquerda, pró e contra Bolsonaro pertencem ao jogo democrático. E as duas posições podem e devem coexistir e se respeitarem mutuamente, como elegantemente vejo amigos próximos fazerem. Mas não podemos esquecer de que tudo pelo que lutamos e cremos, falo politicamente, é apenas sombra de uma verdade inalcançável. E o que nos deixam ver ou revelam através de portas entreabertas, é sempre e meramente com suspeitas intenções.

No mais, sigamos em paz com todos. Sem messianismos, malhação de Judas ou fogueiras inquisitórias. Porque a vida é vapor de fumaça, e nossa pátria não é aqui. Nosso Rei habita em nós; nosso general, Cristo.


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Mais do mesmo e ainda pior - Parte II



Por Jânsen Leiros Jr.


16 Quem se levantará a meu favor, contra os perversos? Quem estará comigo contra os que praticam a iniqüidade?
17 Se não fora o auxílio do SENHOR, já a minha alma estaria na região do silêncio.
18 Quando eu digo: resvala-me o pé, a tua benignidade, SENHOR, me sustém.
19 Nos muitos cuidados que dentro de mim se multiplicam, as tuas consolações me alegram a alma.
20 Pode, acaso, associar-se contigo o trono da iniqüidade, o qual forja o mal, tendo uma lei por pretexto?
21 Ajuntam-se contra a vida do justo e condenam o sangue inocente.
22 Mas o SENHOR é o meu baluarte e o meu Deus, o rochedo em que me abrigo.
23 Sobre eles faz recair a sua iniqüidade e pela malícia deles próprios os destruirá; o SENHOR, nosso Deus, os exterminará.
Salmos 94:-16-23


Na onda do nada novo ou nada que já não tenhamos visto, as pesquisas eleitorais seguem causando controvérsias e discussões, tanto entre analistas políticos, quanto entre eleitores e leigos. Um recurso que a principio visava apenas medir a intenção de voto do eleitor, para ajudar corporações a tomarem decisões importantes sobre seus negócios, as pesquisas eleitorais deixaram há muito suas pretensões originais, tornando-se mais uma maneira de tentar influenciar o voto das massas. Era pra ser assim como a previsão do tempo para o agronegócio, mas passou a ser um poderoso instrumento de sugestionamento do eleitor.

Essa distorção não é de hoje. Já há algumas eleições, as pesquisas vêm sendo utilizadas para tentar influenciar direta ou indiretamente o resultado das urnas. Nessas eleições, porém, esse tendencioso modelo de induzir a população ao que convém, tanto aos institutos quanto a quem as encomenda, vem tomando proporções tão impressionantemente contundentes, quanto risíveis, já que em grande parte dos casos a estratégia não deu certo, ou não deu ainda.

Venceram para o senado, Rodrigo Pacheco e Carlos Vianna
Quando do primeiro turno, na maioria dos estados, os principais institutos de pesquisa erraram assustadoramente os resultados das eleições, não só nos números percentuais de votos, mas também nos candidatos apontados como vencedores ou participantes de eventual segundo turno. Como casos mais emblemáticos tivemos a votação para senador em Minas Gerais, para governador no Rio de Janeiro, e a própria votação para presidente da república, onde o percentual atingido pelo candidato Jair Bolsonaro chegou perto de leva-lo a vencer no primeiro turno, muito diferente do que indicavam os resultados das pesquisas amplamente divulgadas antes do pleito.

 Alguns analistas políticos ouvidos ao longo da apuração, questionados quanto aos aparentes equívocos dos institutos, gentil e elegantemente sugeriram que tais institutos precisariam rever suas formulas de pesquisa, melhorando seus questionários, ou mesmo ajustando as amostras, tornando-as mais adequadas ao perfil geral do eleitorado brasileiro ou regional. Eles foram comedidos em suas análises, claro, poupando a reputação dos institutos, tanto quanto mantendo seus trânsitos e possibilidades de trabalho com tais instituições.

Passaram para 2o. turno Witzel e Paes, nessa ordem
Nós, que meros eleitores, e livres das peias que nos poderiam prender a interesses outros, podemos aprofundar o problema, perguntando algumas coisas ao próprio processo. É possível que institutos tão renomados, acostumados a apurar intenção de votos há tanto tempo, equivocarem-se em quase todos os estados do país? Seria possível que suas amostras fossem tão mau equilibradas, que destoasse do perfil real do eleitorado em tantas unidades da federação? Teriam tais instituições desaprendido a realizarem suas atividades fim? Sinceramente, e pro bem do futuro de tais empresas, não creio. Aliás, poucos creem nessa versão. Mas então o que houve?

Ora, houve apenas a velha tentativa de direcionar a predileção do eleitorado, para os resultados desejados por parte das instituições que encomendou as pesquisas. Seus interesses velados, se bem que nessa eleição estão flagrantemente declarados, determinaram os resultados das pesquisas, esperando que aqueles que votam sem pensar, ou que gostam de praticar o chamado voto útil, sigam a caravana de eleitores apontada pela pesquisa. Sim, precisamos crer na tentativa de manipulação das massas, porque do contrário precisaríamos acreditar na incompetência de dezenas de milhares pesquisadores, que realizam tão difícil tarefa por todo o país. Além deles, também seriam não menos incompetentes os seus gestores e planejadores.

O que é mais honesto então, crer na conveniência de quem no topo da cadeia quer atender às suas conveniências, ou na incompetência de tantos trabalhadores que prestam serviço nesses institutos? A resposta me parece bastante óbvia. Assim temos que, sem precedentes, ou como diria outro conhecido político, nunca antes na história desse país, houve tão grande manobra para forçar as pesquisas a darem resultados comprados, ou minimamente viciados e manipulados.

O mais assustador disso tudo, é que não obstante a estratégia não ter dado certo no primeiro turno, ela está sendo repetida ainda mais flagrantemente, considerando, ou querendo parecer ser considerado pelo eleitorado, que as notícias divulgadas com vistas a manchar a reputação do candidato que está à frente, está conseguindo tirar dele uma expressiva margem de votos.

O que essa gente não considera, ou não entende, ou está pouco se lixando, é que existem outros tantos institutos, cujas pesquisas não são divulgadas em cadeia nacional, que apresentam diferente resultados na intenção de votos, bem como fornecem importante comparativo das predileções demonstrada entre os eleitores. Mais que isso, eles não entendem que o candidato Bolsonaro não está sendo preferido por ser o Jair, por seus atributos políticos e competências de eventual estadista. Ele, Jair, é muito mais do que simplesmente Bolsonaro.

O fenômeno que fez o candidato do PSL disparar na predileção do eleitorado, é a capacidade, ou característica inata, de dizer abertamente e em público, tudo o que o eleitor sempre quis dizer. Sua imunidade parlamentar, talvez, deu-lhe a condição de se posicionar clara e abertamente sobre uma multidão de assuntos que o brasileiro médio gostaria de falar e não pode. Pelo menos não com a projeção e o poder de reverberação que um deputado federal tem. Jair é mais que Bolsonaro. Ele é o próprio eleitor que se enxerga nele, e se apropria de sua possibilidade de fazer o que diz pretender fazer quando e se eleito. Ora, isso tem bastado à maioria dos eleitores. E por que?

Quando o PT chegou ao poder depois de anos batendo na trave, quando um operário sem formação subiu a rampa do Planalto, ele emblemava uma nação de trabalhadores que criam que ele, por ser do partido dos trabalhadores, entendia suas angustias, e poderia fazer desse país uma nação mais justa e com oportunidades e possibilidades para todos. Com o PT, chegava ao poder o sonho da igualdade e da justiça social. Com o tempo, porém, o que se constituiu como realidade, foi um aparelhamento monstruoso do estado e de suas repartições nos mais diversos escalões, instaurando uma rede de corrupção e de sangria do erário público, jamais visto em um país em todo o mundo. Por treze anos, eles sangraram os cofres da nação, com vistas a se eternizarem no poder. E nesse afã, arrancaram leitos e remédios dos hospitais públicos, sucatearam as polícias, precarizaram as universidades públicas, federais e estaduais, reduziram a merenda escolar, além de causarem prejuízos incalculáveis em empresas como Petrobras e em diversos fundos de pensão de outras tantas empresas estatais.

Manifestação #elesim no Rio de Janeiro em 25/10/2018
Pode até ser que para muitos o Jair seja o candidato dos sonhos. Mas para a grande e esmagadora maioria, Bolsonaro é o candidato que não só pode derrotar o PT, como tem a coragem para enfrentar as instituições, que aprenderam a comodamente dependerem das benesses e negociatas tramadas pelos líderes de um partido completamente descaracterizado.

Por essa razão, pouco importa para o eleitor que decidiu votar em Bolsonaro, o que falam do Jair. Menos ainda interessam as declarações de seus filhos ou do seu candidato a vice. Eles não temem uma eventual ditadura, eles não se importam se ele é machista, ou mesmo se tem características ou falas homofóbicas. O que eles querem é varrer do poder e de suas instâncias, a corrupção que grassou o país, e nos lançou na mais profunda e duradoura crise econômica, política e institucional.

Mas pode ser que tudo isso já seja mais do que sabido das lideranças partidárias que apoiam Haddad. E pode ser ainda que toda essa ação, tanto a de criar fatos negativos atribuídos a Bolsonaro, quanto a de apresentar pesquisas que indiquem que esses mesmos fatos estejam lhe tirando votos, não passe de cenário para justificar uma eventual e fabricada virada de resultados, quando da abertura das urnas. Sim, e por mais que eu deteste crer em teorias conspiratórias, isso não pode ser descartado. Não tanto por conta de fantasiosa imaginação, mas principalmente pelo quadro que se tenta pintar para o eleitorado às vésperas da votação; ambiente ideal para intentarem uma fraude.

Apesar de tudo isso, nós, que cremos na soberania de Deus e de sua vontade, pois não se deixa frustrar, sabemos que, sendo de Sua vontade a eleição de Bolsonaro, nada ou qualquer ardil lhe tirará tal vitória. Mas se não for de Sua vontade que Bolsonaro seja o presidente do Brasil, nada que façam seus eleitores ou coordenadores de campanha, poderá fazê-lo vencer. De modo que todo esse texto para nada serve, senão apenas para analisarmos o cenário político que embala, esse que talvez seja o mais conturbado processo sucessório de nossa história.

Portanto podemos manter a consciência crítica e coloca-la a disposição da história. Podemos descansar e aguardar a apuração. Independente do resultado, nosso papel de cristão e cidadão responsável não mudará. Orar por nossos governantes, sejam eles quais forem. Pedir a paz sobre nossa nação, e aguardar a manifestação da glória do nosso Deus.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um simples sinistro de Perda Total


Por Jânsen Leiros Jr.


Eu fui PT
Empunhei bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha, fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles das campanhas de Lula
Me irritei com as seguidas derrotas
Gritei fora Collor, fora FHC e até fora Globo
Chamei o plano real de golpe
Falei que o “bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.

Eu fui PT por que tinha que ser
Eu sou trabalhador, e não democrata, nem liberal, nem comunista
Então o partido do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a faculdade, e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.

Eu fui PT por ideologia e não fisiologia.
Não ganhei um centavo, não viajei de graça, não estudei de graça, e nem acho graça nas coisas de graça.
Eu nunca achei golpe o pedido de impeachment de Collor, nem os diversos pedidos manejados contra Itamar ou FHC.
A constituição atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o presidente, e eu acho isso extremamente democrático.

Eu fui PT
E no ano de 2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase:
“A Esperança venceu o medo!” Eu estava trabalhando na madrugada daquele natal!

Eu fui PT,
E se as redes sociais existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys, ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, eles não são mais PT

Fui PT até quando deu pra ser. Até o dia que o “T”de trabalhador foi substituído pelo “T”de trapaça, de trambique. Por que não de Traição.

O partido dos trabalhadores se agarrou ao poder, e abraçou Renan, Sarney, Collor e até o Maluf, criou fantasias e contou mentiras, soltou a mão de pessoas honestas e sérias, e foi aí que deixei de ser PT.

Eu deixei de ser PT, e me surpreendo com você
Que contesta o fato de Cunha ser o condutor do impeachment
Mas jamais contestou o fato dele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB

Eu deixei de ser PT, e me decepciono com você
Que acusa Temer de ser golpista e bandido,
Mas jamais contestou o fato dele ser, desde o primeiro mandato, o vice presidente escolhido por Dilma

Eu deixei de ser PT, e me assusto com você
Que ao ouvir uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de uma delação pautada em provas, limita-se a falar em vazamento seletivo.
Que de frente a evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e o Juiz.

Eu deixei de ser PT, e me envergonho de você
Que aplaude políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na cadeia como se fossem vencedores e não ladrões
Que afirma que o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita por outros.

Eu deixei de ser PT, e me incomodo com você
Que vai as manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas, e enormes palcos, tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.

Eu deixei de ser PT, e não entendo você
Que fala em defesa da democracia, e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso eleito pelo povo.
Que fala em voto livre, mas aceita a compra parlamentares com cargos e dinheiro

Eu deixei de ser partido, continuo trabalhador... e você?
por Márcio Augusto Costa; 16/04/2016; Brasília DF


Quando em rodas de amigos insisto que o maior algoz do PT foi o próprio partido, seus defensores de plantão me criticam e quase me queimam em praça pública; logicamente falo dos extremistas. Tem gente muito boa ainda no PT. Mas como defendo ardorosamente, a crítica é um direito inalienável de todo ser humano. E da mesma maneira que gosto de garantir o direito a crítica de tudo que escrevo e digo, também me dou o direito de dizer abertamente o que penso, tanto quanto me reservo ainda mais o direito de criticar a conduta de um partido político que, antes de mais nada, como entidade pública, está mesmo a mercê de toda e qualquer crítica e comentário, qualquer que seja seu teor e natureza. Não há entidade pública acima do bem e do mal. Não é sacrilégio algum criticar o PT, o PSDB, o PCdoB ou qualquer outro partido político. Grande ou mesmo os chamados nanicos.

E ao utilizar o texto acima como base desse comentário, o faço por estar muito próximo de meu pensamento muito particular sobre a anatomia da derrocada desse partido no âmbito federal, que já foi depositário das esperanças mais legítimas e dos sonhos mais genuínos da classe trabalhadora, dos menos favorecidos, das minorias, e de todas as classes que o tinham como fiel defensor de seus interesses mais básicos.

Estou convencido de que tal descida ladeira abaixo iniciou-se na perda de seus princípios básicos e de seus expoentes efetivamente pensantes, no que diz respeito a pertinência e legalidade de suas lutas. Assim trocou-se a honestidade pela conveniência, e a consistência da virtude, pelo pragmatismo de resultado. Não deve ter sido sem motivos, que de lá saíram Hélio Bicudo, Plínio de Arruda Sampaio, e tantos outros fundadores, que tinham a romântica mas legítima pretensão de criarem uma sociedade mais justa e igualitária. Nem entro aqui no mérito de suas convicções político-sociais e econômicas, pois para defendê-las é que se constituem partidos diversos.

É óbvio que oportunistas de plantão se promovem e se promoverão às custas dessa triste realidade. E tentarão e até conseguirão tomar de assalto o poder e o governo que lhes foi confiado pelo voto desde o primeiro governo do Lula. Mas fazer o quê? Pois se por um lado falta até agora um argumento mais enfático para um impedimento da presidente Dilma, sobram oportunidades e brechas deixadas pelos passos aloprados de seu quadro político, que se perdeu na ambição de saquear os cofres públicos e tudo o mais que viram pela frente. Agiram como gafanhotos que devoram uma lavoura prestes a ser colhida.

Não, eu não fui petista. Diferentemente do autor do texto acima, a única vez em que votei no PT, foi no segundo turno contra o Collor, quando este foi eleito. De lá pra cá, nunca mais votei no PT; falo para presidente. Mas sinceramente, vi com muita simpatia a vitória de Lula quando de seu primeiro mandato. Eu pensava que não poderia ser tão ruim assim, como efetivamente não foi, um governo presidido por alguém que convivera de perto com as dificuldades mais reais e prementes do povo brasileiro. E quem em sã consciência pode negar que o primeiro governo do Lula foi um tempo de bons ventos para o Brasil. nem discuto aqui condições econômicas ou políticas, pois não é esse o mote desse comentário.

É impossível não reconhecer alguns importantes ganhos sociais adquiridos nesses tempos petistas. A própria autoestima da população estava diferente e havia alegria flagrante no eleitorado que se sentia satisfeito de perpetuar no poder, aqueles que entendiam estar lutando por suas vidas e suas necessidades. Mas o encanto acabou. E os repetidamente apregoados cinquenta e quatro milhões de votos de confiança, se foram penúria abaixo, à medida que os programas sociais não conseguem ser honrados, os repasses para estados e municípios não conseguem ser realizados, e os programas de incentivo à educação deixam milhares de mensalidades em aberto e outros tantos milhares de boletos chegando nas casas de quem dependia do apoio amplamente vaticinado como conquista. Conquistas essas arrancadas pelos próprios doadores. Simplesmente não há recursos para honrar tais compromissos. Por que será??

A sensação que fica, e eu digo sensação porque longe de poder ser verdade absoluta, é que os protagonistas de toda essa farra e desmandos, tinham como impulso último, uma vingança coletiva contra uma sociedade que lá atrás, não teve forças para defendê-los, nem com eles lutarem com armas contra a direita e contra a ditadura. Porque tenho dificuldade de aceitar que apenas ganâncias os tenha motivado. Até para ela, a ganância, há limites de comportamento. Mas o sentimento de vingança é insaciável. E o desejo de criar prejuízo como paga por um remorso não tem fim.

O Partido dos Trabalhadores precisará se reinventar. Passar-se a limpo. Se ele for maior que seus componentes, ele saberá dar fim a essa era triste da perseguição aos interesses de alguns, em detrimento do bem de todos. Do contrário morrerá na história, ou será tão igual quanto esses partidos de conveniências aos quais tanto critica, ou àqueles que hoje, oportunistas e convenientes, são por seu próprio quadro chamados de golpistas.

Acredito, portanto, que pesa sobre o PT mais do que os fatos insofismáveis a que assistimos em todo o processo político e judicial recente. Para quem minimamente conhece o funcionamento de ações comerciais, sabe que as descobertas da Lava Jato não têm nada de fantasiosas. O que pesa mais sobre o PT, é a decepção dos mais de cinquenta e quatro milhões de brasileiros, que se flagraram lutando honestamente por uma causa, que talvez jamais tenha existido nas intenções sinceras de suas lideranças. Porque nunca antes na história desse país, tantos decepcionaram tão profundamente a tanta gente.

sexta-feira, 18 de março de 2016

As conveniências que me perdoem, mas legitimidade é fundamental.


Por Jânsen Leiros Jr.


"Estamos diante do mais absurdo e descarado golpe por parte da direita fascista desse país."

"Não podemos ficar de braços cruzados sem fazer nada, enquanto a mídia golpista dá as cartas para fundar uma nova república no Brasil."

"Até quando vamos permitir que meia dúzia de gatos pingados determinem os rumos da política e da economia do Brasil, enquanto que nossa gente sofrida morre de fome, vivendo sem teto e sem condições de uma vida digna. Eles querem voltar a mandar, porque perderam seus privilégios e o pobre passou a ter vez..."

"... a mídia brasileira tenta colocar o PT e a presidenta Dilma Rousseff na crise com o objetivo de desestabilizá-la."

Trechos de discursos favoráveis ao governo, garimpados da internet e da TV


Sempre que leio ou escuto o discurso dos favoráveis ao governo do PT, e dos que saem em acalorada defesa de seus expoentes, sou levado a um reflexão que julgo importante para o processo pessoal de escolha de lado. Se é que devemos necessariamente escolher um dos lados que aí se apresentam, lutando por nossas predileções e apoios.

Digo isso porque, sinceramente, sou tocado pela retórica que nos confronta com a possibilidade de estarmos, a maioria da opinião pública e de alguns meios de comunicação, servindo inocentemente a um processo de vingança da chamada elite brasileira, contra as conquistas dos pobres do Brasil, flagrantemente trazidos a uma condição de vida e de importância social e econômica jamais vistas na história desse país.

É no mínimo provocador, aos que não se deixam facilmente conduzir pelas manobras midiáticas, qualquer que seja o lado pelo qual se deem tais manobras, o apelo a que se avalie cuidadosamente, se toda essa massa de informações não está apenas servindo ao movimento manipulador do senso comum, na criação de um cenário favorável e de um ambiente perfeito para a usurpação de leis e garantias constitucionais, com vistas a um suspeito bem maior de interesse nacional, ferindo princípios que mais tarde poderão ser desrespeitados em relação a qualquer cidadão de bem desse país.

Se ouvirmos tais discursos com isenção, somos obrigados a sinceramente perceber pertinências e lógicas tão óbvias, que nos sentirmos os mais idiotas cidadãos do mundo, por nos deixarmos envolver pelo clamor das ruas, fomentado por uma gente comprometida com interesses supostamente mesquinhos, que buscam apenas retornar aos seus privilégios perdidos quando da ascensão da classe trabalhadora ao poder.  E assim, acabamos por intuir que tais movimentos não passam de mera revolta da burguesia indignada, contra as classes desfavorecidas que nunca tiveram quem as defendesse, mas que agora contam com o PT e em seus aliados; suas últimas linhas de resistência contra a exploração, o descaso e o abandono.

Eu, que não tenho qualquer predileção partidária ou sequer interesses de encarreiramento político, mas totalmente interessado nos rumos políticos e econômicos do Brasil, seguro duas bandeiras distintas, uma em cada mão. Ora sentindo impulsos por levantar uma, ora sentindo o mesmo impulso em favor da outra. E fico assistindo atônito à uma guerra travada por falácias, versões, bravatas e palavras de ordem, que se não conseguem atrair as consciências sinceras de quem tenta se manter equilibrado, partem para um bestial apelo emocional que se polariza entre a indignação e o cinismo, que se alternam de lado a lado, conforme suas conveniências e necessidades de convencimento.

Confesso que tendo sido adolescente e jovem durante a ditadura, tenho natural inclinação pelo discurso da auto declarada esquerda, de que há um golpismo entranhado em todos os factoides criados pela mídia reacionária desse país, pois não só sabemos de seu comprometimento no passado recente do Brasil, como contamos com o depoimento de muitos personagens ainda vivos dessa história. E não só por isso, mas minha geração viveu de perto e de dentro, muitas das manobras e artimanhas arquitetadas para manipulação das massas a favor de um regime totalitário. Vivenciamos as perdas de direitos democráticos, e nem de longe gostaríamos de ver reeditadas as circunstâncias nacionais daquela época.

Acontece que simplesmente o discurso dessa mesma auto declarada esquerda não cola. E não cola não por inconsistência de legalidade, mas por impertinência de moralidade, uma vez que seus expoentes, ora envolvidos em toda essa movimentação nacional a que assistimos, posicionaram-se e comportaram-se com cinismo e desfaçatez, próprios de quem tenta encobrir atos criminosos e fraudulentos, contrariando a máxima de nossos avós, que dizia que quem não deve não teme. Ora, se temem e se fogem, somos inevitavelmente levados à irresistível conclusão de que devem... e muito.

E talvez seja isso que os defensores de primeira hora, e os oportunistas aliados do governo não entendem, ou convenientemente não queiram entender; não adianta culpar o sofá pela traição ocorrida na sala. Pouco adiantará acusar de ilegalidade a atitude de acender a luz, que no final flagrou e proporcionou-nos enxergar os maus feitos realizados por toda essa corja que se apoderou do estado brasileiro, sem nenhum direito de fazê-lo. Manobras políticas para se manterem em uma condição privilegiada que os deixe longe da mira da justiça e das investigações, demonstram inequivocamente que há muito o que esconder ou tudo a disfarçar. E nada melhor do que um discurso raivoso de vítimas de um golpe, e de vingança das elites, para disfarçar ou ofuscar a visão de quem tenta buscar um ponto de vista isento e sinceramente não comprometido.

De modo que a exemplo do que publiquei há poucos dias sobre a fala do senador Delcídio do Amaral, o que acaba por assinar a confissão de culpa dos feitos e das intenções da liderança do PT e de seus aliados, é exatamente a sequência de manobras realizadas para tentar se defender, e que demonstram, insofismavelmente, que a caixa preta que insistem em não abrir tem muita coisa imprópria a revelar.

Além disso, o discurso velho e esgarçado pelo tempo que tenta promover a divisão do país entre eles e nós, é o mesmo expediente utilizado por terroristas que se utilizam de escudos humanos para se protegerem de ataques das forças inimigas. Vale ressaltar que os escudos não só são formados por civis, como também por compatriotas, pessoas que compartilham os mesmos interesses e crenças. Porque no processo de fuga e de manutenção da própria vida, pouco lhes importa que aliados ou mesmo admiradores, acabem pagando com a própria vida, desde que garantam as inestimáveis sobrevidas dos fugitivos.


Portanto, por mais sedutores que nos sejam os discursos pretensamente denunciadores de um golpe dos poderosos contra os coitados e injustiçados defensores dos desfavorecidos, o próprio comportamento dos investigados e acusados, lhe servem de contraditório à presunção de inocência. Nossos avós estavam certos como sempre; quem não deve não teme. E eu completo, não temem nem mesmo uma eventual injustiça. Pois nesse caso haverá sempre quem os defenda com fatos e provas; legitimamente.