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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Escolhas às escondidas, culpas assumidas?


Por Jânsen Leiros Jr.

" 1 No princípio, criou Deus os céus e a terra.
2 A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.
3 Disse Deus: Haja luz; e houve luz”.
Gênesis 1:1-3

Aproxima-se a votação para os cargos de presidente nas duas casas legislativas que compõem o Congresso Nacional; a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. É uma votação da qual o povo não participa, ficando apenas a cargo dos senhores parlamentares de ambas as casas, decidirem quem irá presidi-los na próxima legislatura, onde quase metade do Congresso foi renovado nas eleições de 2018.

A presidência, tanto da Câmara, tanto quanto a do Senado, é alvo de disputas históricas e de ocupantes os mais variados, desde homens honrados que entraram para os livros de história do nosso país, até os que tiveram seus nomes nas páginas policiais, homens cuja posição de destaque e importância em um dos poderes da nação, não lhes conferiu o poder de evitarem ser alcançados pelo braço da justiça, mais  exatamente os braços da Operação Lava Jato.

Como é sabido de muitos, a operação que vem tentando desfazer a rede de corrupção instaurada nos mais diversos níveis da máquina pública, vem sofrendo ataques e tentativas de esvaziamento por parte daqueles que temem a aproximação de suas garras, e a consequente e inevitável obrigação de pagar pelos seus feitos... maus feitos!

No final do ano passado a Câmara votou favorável ao fim do foro privilegiado, que colocava parlamentares inatingíveis por processos contra “suas excelências”, deixando os deputados e senadores mais acessíveis e desprotegidos das investigações da Lava Jato e seus desdobramentos. Mesmo aos que se reelegeram com a exclusiva intenção de fugirem de eventuais processos, com o fim do foro privilegiado, terão mais dificuldades de escaparem ilesos.

No entanto, a presidência do congresso confere ao ocupante um poder maior, tanto na condução das rotinas parlamentares, como a capacidade de “barganhar” com o executivo o que quer que lhe convenha, pois constitucionalmente os poderes executivo e legislativo se equivalem. Ah, você achava que a disputa pela presidência do Senado e da Câmara era apenas uma questão de vaidade política? Lamento macular sua ingenuidade.

Na condição de presidente, o ocupante do cargo determina a pauta de votações no congresso, o rito das tramitações, e o tempo com que tudo acontecerá nas casas. E quem depende dessa engrenagem para efetivamente governar o país? O presidente da república e sua equipe. Dessa forma a política no seu traço mais fisiológico, trabalha na adequação e conciliação dos interesses das partes, quase nunca havendo qualquer preocupação com os interesses da nação.

Até aí, você diria, tudo bem. Mas o que tem a ver isso tudo com a discussão que chegou ao STF, quanto ao rito de votação, ou seja, ser votação secreta ou não? E eu responderia, tudo. Sim, porque mais precisamente em relação ao Senado Federal, um dos pleiteantes ao cargo é Renan Calheiros, sabidamente alvo de algumas ações do MPF, no contexto mais amplo da Lava Jato. Se expostos em seus votos, os senadores terão dificuldades em se alinharem a Renan Calheiros. Já o voto sendo secreto, eles poderão atender às suas conveniências, sem terem que dar satisfação de suas escolhas a seus eleitores.

O que isso significa na prática? Significa que alguma coisa que não pode ser exposta aos meros eleitores, está alimentando a decisão daqueles que foram escolhidos por esses mesmos eleitores, para os cargos que agora ocupam. Aliás, um costume bastante conhecido em nosso país; o total descolamento dos interesses dos eleitores, dos interesses pessoais e conveniências de seus representantes.

Ora, não foi sem razão que o texto da narrativa bíblica da criação do mundo começa confrontando trevas e luz. Caos e ruinas era o que as trevas escondiam; a condição original daquilo que viria a ser o lugar que habitamos. E para que tais condições pudessem ser alteradas, para que algo proveitoso pudesse ser criado, - haja luz. Porque na escuridão nada se cria. Jesus mais à frente irá dizer que “importa trabalhar enquanto é dia, pois à noite ninguém pode trabalhar.” Obviamente ele se refere a realizar o que deve, às claras, na frente de todos, para proveito de todos. O evangelista João também dirá que “não vieram para a luz, para que suas obras não fossem reveladas”. Ora, a quem interessa realizar algo às escondidas, senão aqueles cujas intenções não podem ou não devem ser reveladas, para benefício exclusivamente próprio?

Enfim, nota-se pela avidez para que a votação seja secreta, que o espírito da transparência segue assombrando a metade não renovada do Congresso Nacional. Para esses, o interessante é que tudo continue em trevas, sem luz, para que suas ruinas e o caos que promovem com o patrimônio público, sigam atendendo suas particulares e irreveláveis demandas. O pior é que ainda encontram quem os legitimem.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Mais do mesmo e ainda pior - Parte II



Por Jânsen Leiros Jr.


16 Quem se levantará a meu favor, contra os perversos? Quem estará comigo contra os que praticam a iniqüidade?
17 Se não fora o auxílio do SENHOR, já a minha alma estaria na região do silêncio.
18 Quando eu digo: resvala-me o pé, a tua benignidade, SENHOR, me sustém.
19 Nos muitos cuidados que dentro de mim se multiplicam, as tuas consolações me alegram a alma.
20 Pode, acaso, associar-se contigo o trono da iniqüidade, o qual forja o mal, tendo uma lei por pretexto?
21 Ajuntam-se contra a vida do justo e condenam o sangue inocente.
22 Mas o SENHOR é o meu baluarte e o meu Deus, o rochedo em que me abrigo.
23 Sobre eles faz recair a sua iniqüidade e pela malícia deles próprios os destruirá; o SENHOR, nosso Deus, os exterminará.
Salmos 94:-16-23


Na onda do nada novo ou nada que já não tenhamos visto, as pesquisas eleitorais seguem causando controvérsias e discussões, tanto entre analistas políticos, quanto entre eleitores e leigos. Um recurso que a principio visava apenas medir a intenção de voto do eleitor, para ajudar corporações a tomarem decisões importantes sobre seus negócios, as pesquisas eleitorais deixaram há muito suas pretensões originais, tornando-se mais uma maneira de tentar influenciar o voto das massas. Era pra ser assim como a previsão do tempo para o agronegócio, mas passou a ser um poderoso instrumento de sugestionamento do eleitor.

Essa distorção não é de hoje. Já há algumas eleições, as pesquisas vêm sendo utilizadas para tentar influenciar direta ou indiretamente o resultado das urnas. Nessas eleições, porém, esse tendencioso modelo de induzir a população ao que convém, tanto aos institutos quanto a quem as encomenda, vem tomando proporções tão impressionantemente contundentes, quanto risíveis, já que em grande parte dos casos a estratégia não deu certo, ou não deu ainda.

Venceram para o senado, Rodrigo Pacheco e Carlos Vianna
Quando do primeiro turno, na maioria dos estados, os principais institutos de pesquisa erraram assustadoramente os resultados das eleições, não só nos números percentuais de votos, mas também nos candidatos apontados como vencedores ou participantes de eventual segundo turno. Como casos mais emblemáticos tivemos a votação para senador em Minas Gerais, para governador no Rio de Janeiro, e a própria votação para presidente da república, onde o percentual atingido pelo candidato Jair Bolsonaro chegou perto de leva-lo a vencer no primeiro turno, muito diferente do que indicavam os resultados das pesquisas amplamente divulgadas antes do pleito.

 Alguns analistas políticos ouvidos ao longo da apuração, questionados quanto aos aparentes equívocos dos institutos, gentil e elegantemente sugeriram que tais institutos precisariam rever suas formulas de pesquisa, melhorando seus questionários, ou mesmo ajustando as amostras, tornando-as mais adequadas ao perfil geral do eleitorado brasileiro ou regional. Eles foram comedidos em suas análises, claro, poupando a reputação dos institutos, tanto quanto mantendo seus trânsitos e possibilidades de trabalho com tais instituições.

Passaram para 2o. turno Witzel e Paes, nessa ordem
Nós, que meros eleitores, e livres das peias que nos poderiam prender a interesses outros, podemos aprofundar o problema, perguntando algumas coisas ao próprio processo. É possível que institutos tão renomados, acostumados a apurar intenção de votos há tanto tempo, equivocarem-se em quase todos os estados do país? Seria possível que suas amostras fossem tão mau equilibradas, que destoasse do perfil real do eleitorado em tantas unidades da federação? Teriam tais instituições desaprendido a realizarem suas atividades fim? Sinceramente, e pro bem do futuro de tais empresas, não creio. Aliás, poucos creem nessa versão. Mas então o que houve?

Ora, houve apenas a velha tentativa de direcionar a predileção do eleitorado, para os resultados desejados por parte das instituições que encomendou as pesquisas. Seus interesses velados, se bem que nessa eleição estão flagrantemente declarados, determinaram os resultados das pesquisas, esperando que aqueles que votam sem pensar, ou que gostam de praticar o chamado voto útil, sigam a caravana de eleitores apontada pela pesquisa. Sim, precisamos crer na tentativa de manipulação das massas, porque do contrário precisaríamos acreditar na incompetência de dezenas de milhares pesquisadores, que realizam tão difícil tarefa por todo o país. Além deles, também seriam não menos incompetentes os seus gestores e planejadores.

O que é mais honesto então, crer na conveniência de quem no topo da cadeia quer atender às suas conveniências, ou na incompetência de tantos trabalhadores que prestam serviço nesses institutos? A resposta me parece bastante óbvia. Assim temos que, sem precedentes, ou como diria outro conhecido político, nunca antes na história desse país, houve tão grande manobra para forçar as pesquisas a darem resultados comprados, ou minimamente viciados e manipulados.

O mais assustador disso tudo, é que não obstante a estratégia não ter dado certo no primeiro turno, ela está sendo repetida ainda mais flagrantemente, considerando, ou querendo parecer ser considerado pelo eleitorado, que as notícias divulgadas com vistas a manchar a reputação do candidato que está à frente, está conseguindo tirar dele uma expressiva margem de votos.

O que essa gente não considera, ou não entende, ou está pouco se lixando, é que existem outros tantos institutos, cujas pesquisas não são divulgadas em cadeia nacional, que apresentam diferente resultados na intenção de votos, bem como fornecem importante comparativo das predileções demonstrada entre os eleitores. Mais que isso, eles não entendem que o candidato Bolsonaro não está sendo preferido por ser o Jair, por seus atributos políticos e competências de eventual estadista. Ele, Jair, é muito mais do que simplesmente Bolsonaro.

O fenômeno que fez o candidato do PSL disparar na predileção do eleitorado, é a capacidade, ou característica inata, de dizer abertamente e em público, tudo o que o eleitor sempre quis dizer. Sua imunidade parlamentar, talvez, deu-lhe a condição de se posicionar clara e abertamente sobre uma multidão de assuntos que o brasileiro médio gostaria de falar e não pode. Pelo menos não com a projeção e o poder de reverberação que um deputado federal tem. Jair é mais que Bolsonaro. Ele é o próprio eleitor que se enxerga nele, e se apropria de sua possibilidade de fazer o que diz pretender fazer quando e se eleito. Ora, isso tem bastado à maioria dos eleitores. E por que?

Quando o PT chegou ao poder depois de anos batendo na trave, quando um operário sem formação subiu a rampa do Planalto, ele emblemava uma nação de trabalhadores que criam que ele, por ser do partido dos trabalhadores, entendia suas angustias, e poderia fazer desse país uma nação mais justa e com oportunidades e possibilidades para todos. Com o PT, chegava ao poder o sonho da igualdade e da justiça social. Com o tempo, porém, o que se constituiu como realidade, foi um aparelhamento monstruoso do estado e de suas repartições nos mais diversos escalões, instaurando uma rede de corrupção e de sangria do erário público, jamais visto em um país em todo o mundo. Por treze anos, eles sangraram os cofres da nação, com vistas a se eternizarem no poder. E nesse afã, arrancaram leitos e remédios dos hospitais públicos, sucatearam as polícias, precarizaram as universidades públicas, federais e estaduais, reduziram a merenda escolar, além de causarem prejuízos incalculáveis em empresas como Petrobras e em diversos fundos de pensão de outras tantas empresas estatais.

Manifestação #elesim no Rio de Janeiro em 25/10/2018
Pode até ser que para muitos o Jair seja o candidato dos sonhos. Mas para a grande e esmagadora maioria, Bolsonaro é o candidato que não só pode derrotar o PT, como tem a coragem para enfrentar as instituições, que aprenderam a comodamente dependerem das benesses e negociatas tramadas pelos líderes de um partido completamente descaracterizado.

Por essa razão, pouco importa para o eleitor que decidiu votar em Bolsonaro, o que falam do Jair. Menos ainda interessam as declarações de seus filhos ou do seu candidato a vice. Eles não temem uma eventual ditadura, eles não se importam se ele é machista, ou mesmo se tem características ou falas homofóbicas. O que eles querem é varrer do poder e de suas instâncias, a corrupção que grassou o país, e nos lançou na mais profunda e duradoura crise econômica, política e institucional.

Mas pode ser que tudo isso já seja mais do que sabido das lideranças partidárias que apoiam Haddad. E pode ser ainda que toda essa ação, tanto a de criar fatos negativos atribuídos a Bolsonaro, quanto a de apresentar pesquisas que indiquem que esses mesmos fatos estejam lhe tirando votos, não passe de cenário para justificar uma eventual e fabricada virada de resultados, quando da abertura das urnas. Sim, e por mais que eu deteste crer em teorias conspiratórias, isso não pode ser descartado. Não tanto por conta de fantasiosa imaginação, mas principalmente pelo quadro que se tenta pintar para o eleitorado às vésperas da votação; ambiente ideal para intentarem uma fraude.

Apesar de tudo isso, nós, que cremos na soberania de Deus e de sua vontade, pois não se deixa frustrar, sabemos que, sendo de Sua vontade a eleição de Bolsonaro, nada ou qualquer ardil lhe tirará tal vitória. Mas se não for de Sua vontade que Bolsonaro seja o presidente do Brasil, nada que façam seus eleitores ou coordenadores de campanha, poderá fazê-lo vencer. De modo que todo esse texto para nada serve, senão apenas para analisarmos o cenário político que embala, esse que talvez seja o mais conturbado processo sucessório de nossa história.

Portanto podemos manter a consciência crítica e coloca-la a disposição da história. Podemos descansar e aguardar a apuração. Independente do resultado, nosso papel de cristão e cidadão responsável não mudará. Orar por nossos governantes, sejam eles quais forem. Pedir a paz sobre nossa nação, e aguardar a manifestação da glória do nosso Deus.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Mais do mesmo e ainda pior


Por Jânsen Leiros Jr.


25 Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.
Mateus 12:-25


Costumo ser avesso a posicionamentos acalorados e efusivos, pois entendo que na maioria das vezes, quem assim se coloca, corre o risco de deixar de fora algo que não percebeu sobre o assunto. E por isso tentarei ser minimamente emocional, ainda que contundente, para que não ultrapasse o limite do imparcial, mesmo que de imparcial pouco ou quase nada tenham minhas motivações; milito flagrantemente em favor do Brasil.

A campanha de segundo turno para eleição de presidente da república está repetitiva e reveladora. Repetitiva no baixo nível de ataques de parte a parte, e na incapacidade de se apresentar propostas exequíveis e projetos de país, que deixem o conforto de seus programas de governo quase escondidos em sites pouco acessados, e ganhem as ruas e o interesse da população, demonstrando claramente onde querem chegar, e como e a que preço. Em vez disso, repetem a velha máxima de dizerem o que o povo gosta de ouvir, polarizando a campanha e dividindo o eleitorado entre eles e nós. Tudo bem que nessas características ambos os lados tenham suas proeminências, mas tal perfil de campanha cola igualmente em ambas as campanhas.

Ora, o que há de novo então? Quase nada, mas de revelador, muita coisa. E podemos começar pela maneira declarada como a mídia quase que em sua totalidade, decidiu-se por um dos lados, direcionando seu jornalismo a apurações viciadas e a noticiários tendenciosos. E mais, à medida que nos aproximamos do pleito, intensifica-se a farta distribuição de frases e atos, vistos e ouvidos convenientemente, de modo a influenciar direta ou indiretamente nos resultados das urnas.

Ora, não há aqui qualquer inocência quanto a inevitável postura assumida em favor desse ou aquele candidato, que qualquer meio de comunicação acaba por declarar nas entrelinhas. Mas ser tão explicitamente contra um dos lados, e praticamente tentar decidir o pleito goela abaixo da população, é completamente incomum e revelador da imensa preocupação com a eventual vitória do candidato a quem não escolheram. O extremo empenho em desconstruir a imagem de um em favor do outro, já passou dos limites aceitáveis da predileção, e avança pelos descaminhos da tentativa imprópria de induzir e influenciar a benefício próprio, o livre direito de escolha da população. Inevitavelmente vem à mente um simples questionamento: o que pretendem ou o que temem?

E se de um lado temos a imprensa formal  trabalhando conforme suas conveniências, do outro temos uma incômoda e frenética produção de notícias falsas entupindo as redes socias, causando alarmismo desenfreado, em quem tem boa fé e entende que uma escolha democrática, passa pela lisura do processo, e que temem ter esse processo corrompido, a despeito da escolha legítima da maioria. Fraudes, factoides e ameaças à integridade dos candidatos, entram e saem de nossos celulares e computadores, numa enxurrada de versões e acusações mútuas, que revela uma insuportável tentativa de manipular as massas. Seja pela mídia convencional, seja pelas redes sociais, há um sôfrego movimento que tenta roubar eleitores no limite de suas escolhas.

Jovem é indiciada por falsa comunicação de crime
 Nesse mar de lama e baixaria, urnas são encontradas com votos supostamente pré imputados, frases despretensiosas são comentadas como declarações de intenção, minorias são incitadas a reações desproporcionais, e esquemas e estratégias teatrais são descobertos por meios suspeitos, e divulgados por gente sempre muito confiável. Isso sem falar em torturados equivocados e entrevistas bombas que desmontariam uma ou outra candidatura. Uma verdadeira guerra de desinformação e desconstrução do adversário.

De tudo isso, porém, há algo que me entristece e preocupa crescentemente. É flagrante o crescimento da intolerância e do desejo de poder sobre o outro, tanto na imposição das ideias, quanto da uniformidade de opiniões. É claro que qualquer um tem o direito de não querer me ouvir, ou mesmo de não querer ler o que eu escrevo. E é simples exercer esse direito. Basta não me dar ouvidos, basta não querer nem mesmo ver esse meu texto. Nesse ato há direitos garantidos; o meu de falar, e o do outro de não me ouvir. O meu de escrever e do outro de sequer querer ler. Simples assim. Mas o que estamos assistindo de forma crescente e galopante, e que não deverá recuar nem mesmo com o fim das eleições, é o impulso incontrolável que se declara vívido em muitos, de querer me calar a voz, arrancar da mão a caneta, e de obrigar o semelhante a ouvir e a ler o que o outro pretende.

Urnas fraudadas teriam sido encontradas
já com votos computados em favor de um dos candidatos
Para ficar mais familiar o que digo, nunca antes na história desse país, democracia foi uma palavra tão abertamente repetida, mas tão pouco efetivamente defendida. Porque a condição preponderante da democracia é o direito à expressão, a liberdade de pensar diferente, e a possibilidade de opinar sobre qualquer coisa. E isso não vem mais acontecendo em nossa sociedade. Se alguém ousar desses direitos fazer uso, é tolhido, cerceado, alijado, ou ainda sofre bullying. É quase sempre interpretado à luz de vieses ideológicos viciados, e é rotulado com palavras que visam agredir, e que trazem em seu conceito, muito mais do que se pretende dizer. Ou é falta de vocabulário dos agressores, ou crueldade semântica de verdade. Ou seriam as duas coisas?

De qualquer maneira, e seja por qual motivo for, estamos experimentando um verdadeiro racha da sociedade brasileira. E esse racha se estende a amizades e laços familiares, onde integrantes se agridem e se detestam por conta de suas predileções políticas. Mesmo em comunidades religiosas assistimos o velho e visceral exercício do desejo de se sobrepujar ao outro, de se impor ideias e modelos particulares de se ver o mundo. Quais as chances de sairmos melhores de um momento como esse? Quais as possibilidades de construirmos um país melhor, se a hipótese de descartarmos pessoas contrárias é admissível, diante do triunfo de nossas predileções políticas? Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto.

Até quando nos permitiremos ser o que querem que sejamos? Até quando iremos credulamente crer no que querem que creiamos? Até quando beijaremos a mão dos coronéis? Até quando expressaremos a vontade de terceiros, ou lutaremos por ideais que nos impõem? Que tenhamos sempre consciência crítica sobre o que nos oferecem de informação, e fortaleçamos o sentimento de que estamos todos no mesmo time. Somos uma nação, somos todos brasileiros.