sábado, 20 de agosto de 2016

Enfim o fim da espera


Por Jânsen Leiros Jr.


Brilhou o ouro! Nos pênaltis, Brasil vence Alemanha e conquista medalha inédita. Após empate em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, seleção olímpica conta com defesa de Weverton e 100% de aproveitamento nas cobranças para vencer.
G1 – 20/08/2016.


Enfim o tão sonhado e esperado Ouro Olímpico no Futebol. O título que faltava à seleção do país do futebol. Um contrassenso que insistia em nos fazer sentir fracassados no esporte em que somos os maiores campeões mundiais. Ou será que esse sentimento é que era uma enorme incoerência, já que um único título a menos numa parede repleta de conquistas, não deveria nos fazer tanta falta assim. Ou deveria? Não importa também; somos campeões olímpicos e o mundo vai ter que nos aturar. Continuamos a ser o país do futebol, mas também sendo o da Canoagem, da Vela, do Box, do Tiro, do Vôlei de Praia e Vôlei de Quadra, e de tantos outros esportes em que brilhamos, ainda que sem apoio, patrocínio ou atenção de qualquer instituição.

Mas a Rio 2016 não trouxe somente essas conquistas, quer sejam douradas, prateadas ou bronzeadas. Há outras conquistas e grandes feitos, que ficarão como legado desses Jogos Olímpicos, e não estamos falando de ginásios, estádios e das obras e soluções de transporte público realizadas para essa finalidade. A apenas um dia do encerramento do maior evento esportivo do planeta, o maior legado deixado para a cidade do Rio e para o Brasil, foi a recuperação da autoestima de um povo que, até bem pouco tempo, envergonhava-se das condições sócio econômicas e políticas que vinha vivendo.

Uai, mas alguma coisa mudou? Houve inclusão social, melhoria da qualidade de vida dos mais necessitados, aumento da oferta de empregos, aumento do PIB nacional, ou redução dos casos de políticos corruptos e empresários corruptores? Não, claro que não. Nossas condições sociais, econômicas e políticas não mudaram nesses quase dezoito dias de evento. Mas uma coisa mudou e mudou flagrantemente. Recuperamos o orgulho de ser carioca, e o prazer de ser brasileiro.

Em virtude de tudo que vínhamos vivenciando nos meses que antecederam aos Jogos, o próprio evento foi cercado de pessimismo incontestável. Todos nós críamos que passaríamos uma vergonha mundial, com problemas que ocorreriam desde a organização do evento, até o péssimo estado de acabamento das instalações disponíveis aos atletas e comissões técnicas. E a poucos dias da abertura, já com na chegada das delegações, incidentes como o ocorrido com a delegação da Austrália serviu-nos de prenúncio de um grande fracasso do evento. Para quase todos nós, anunciava-se um grande fiasco.

Bastou, porém, que a cerimônia de abertura fosse considerada um sucesso pela mídia mundo afora, para todos os maus presságios fossem abandonados, sendo trocados por um orgulhoso sentimento de que sabemos fazer festa como ninguém. E não é mesmo que a cerimônia de abertura foi um espetáculo de criatividade e realização? A partir de então, a má vontade com o evento foi trocada por uma simpatia incansável com tudo que se referia ou se sofria em função da Rio 2016. Sim, porque nós cariocas, que tivemos a cidade virada de cabeça para baixo, causando-nos diversos transtornos em nossa rotina, aturamos quase tudo com bom humor e paciência. Afinal, estávamos com visitas em casa. Segurança reforçada, e um excelente sincronismo apresentado pelo comitê responsável pela realização dos jogos, minimizaram o desconforto ao nível do aceitável. E, quase no final, podemos dizer que tudo acabou bem. Muito bem!

E aí está o que entendo ser um dos nossos maiores legados do evento; agora sabemos que sabemos fazer. E não estamos falando de festas ou cerimônias. Estamos falando de tudo o que envolveu a realização dos Jogos. Brasileiro quando quer faz, está mais que provado. Quando quer se esforça e luta. Se perde, perde lutando. Se se empenha, vence. E por mais improvável que seja, pode chegar ao lugar mais alto do pódium. Nosso quadro de medalhas está repleto de exemplos disso; empenho, determinação e superação.

Mas não falo só de medalhas. A segurança pública nesses dias não foi exemplar? O cuidado do cidadão em manter a cidade limpa, de ser atencioso com turistas, de respeitar faixas exclusivas... Não correu tudo bem? E por que então não funcionam assim fora do evento, uma vez que o mesmo povo que realizou e vivenciou os dezoito dias dos Jogos, é o mesmo que vive os 365 dias do ano, numa cidade caótica e insegura? Nós sabemos fazer; quando queremos. Nossa autoestima esteve tão em alta, que sequer aceitamos a mentira mal contada pelo nadador norte-americano sobre assalto; aqui não! Mais do que rechaçarmos a mentira sobre um fato, não aceitamos ser vítimas de nossa própria fama de cidade perigosa. Afinal, de certa forma sabíamos que não seria possível tal acontecimento. Não durante as Olimpíadas do Rio.

E não bastasse acender a chama de nosso orgulho carioca e também brasileiro, com o fogo da pira olímpica, mais essa agora; campeões olímpicos no futebol, o título que nos faltava, coroando nosso esforço de realizadores dessa festa esportiva monumental. Coroando e apontando para nossa capacidade de fazer, desde que queiramos. Talvez nos faltasse isso, querer. Querer requer fazer. Tirar do papel, dar vida ao sonho. Querer requer empenho em tornar real aquilo que se pretende. Quisemos, e se quisemos podemos querer outras inúmeras vezes. Bastará querermos.

Acredito que a partir de agora, precisaremos discordar com veemência toda vez que frases derrotistas forem pronunciadas perto de nós, como aqui é Brasil, esse pais não tem jeito, tudo no Brasil acaba em samba (ou em pizza), entre outras, sempre passando a ideia de que nosso país não tem jeito. Porque vimos que tem. Vimos que sabemos e conhecemos o caminho. Sabemos como. O que nos falta como nação é vontade. Vontade de fazer diferente, vontade de fazer melhor, empenho para realizar além. Parece que tínhamos medo do sucesso. Mas agora não mais. Realizamos um evento extremamente bem-sucedido.

Não espero que a mudança de atitude venha dos políticos. Eles jamais mudarão o que lhes convém. Não espero tão pouco de governantes. Estão preocupados demais com privilégios e vantagens que lhes garantam perenidade no controle do dinheiro público. Mas espero que a mudança comece em cada cidadão, em cada profissional e em cada empresário. A sociedade precisará questionar-se sobre o por que não é o que fomos por esse tempo. Podemos ter melhores transporte, melhores condições de saúde. Podemos viver com mais segurança e termos uma cidade mais agradável. Sabemos e podemos lutar por essas coisas. Sobretudo sabemos como realizar coisas assim tão grandiosas. 

Não precisamos mais achar que nadamos, nadamos e morremos na praia. Não precisamos mais achar que determinadas conquistas não foram feitas para nós. Somos Ouro, somos olímpicos. Soubemos fazer direito. Não precisamos mais ser o patinho feio. Saberemos ser campeões. Que Deus abençoe nossa cidade do Rio de Janeiro. Que Deus abençoe o Brasil.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Série Grãos de Mostarda; Quem teme, foge


"Há muita gente pensando de si mesma muito mais do que é. Muito mais correto, muito mais capaz e até muito mais santo ou resistente ao mal. Quem se conhece na verdade de suas carências, sabe que está longe de ser pleno de suas possibilidades. E assim não se coloca à prova naquilo que seria grande risco para sua alma. Quem sobriamente se oferta a um teste de resistência, naquilo que não pode suportar?

Por isso, teme a Deus e aparta-se do mal. Fuja, corra, saia de perto e evite. A ideia é mesmo não se colocar à prova, achando-se capaz de resistir. Uma coisa é surgir a tentação, outra coisa é procurar pela sedução. Afinal, promete o sábio, isso pode nos manter puros e sem mácula; saúde para a carne, revigorando em nós aquilo que nos sustenta a estrutura; refrigério para os ossos. Quem teme ao Senhor não se dá a seduzir. Não se oferece à tentação. Não testa Deus.

E por que não?..."

Jânsen Leiros Júnior

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Série Grãos de Mostarda; Regando sempre


"Generosidade parece tema recorrente na Bíblia. Dar com alegria e não reter o que se tem ou se produz, se repetem e se alternam com roupagens diferentes, mas com a mesma essência e pertinência. A generosidade, porém, não é uma atitude fundamental, mas consequente; é uma tradução efetiva do que acontece antes na alma. É, na verdade, um exercício de fé.

Porque reter é pretender-se a garantias de estoque e provisão, que apenas provocam uma falsa sensação de segurança. Jesus alerta ao tolo: louco hoje te pedirão a tua alma, e o que tens guardado para quem será? Ora, se Deus nos usa como canal de bênçãos, a única forma de seguir sendo cheios é deixar as portas desse canal abertas; para entrar precisa antes sair, assim como para encher mais é preciso esvaziar primeiro. E isso é para tudo.

E por que não?..."

Jânsen Leiros Júnior

sábado, 30 de julho de 2016

Série Grãos de Mostarda; Confiança sustentável


"Quantas aflições pode suportar a nossa alma? E por quantas tribulações podemos passar sem desfalecermos? Talvez o segredo para o sustento e a firmeza de espírito, esteja exatamente nessa afirmação de Jesus; tende bom ânimo. Ao nos apiedarmos de nós mesmo e nos entregarmos ao abatimento, somos tragados por tristeza contumaz que se alimenta da ansiedade e do medo pelo novo ou pelo de novo.
Tende bom ânimo não se baseia em positivismo militante ou em otimismo frívolo e fantasioso. Ser confiante aqui tem uma garantia e aponta para um sucesso patente; eu venci o mundo. De modo que a confiança sustentável, longe de ser vazia, aponta para o cuidado e o fortalecimento espiritual, realizado por aquele que é o autor e consumador da nossa fé."

JLjr.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Série Grãos de Mostarda; Chega de divisões


"Há quem acredite que divisões e facções sejam, na verdade, a separação entre joio e trigo. Tiago expressa que tal não pode ser, senão fruto de obra perversa. Eu sou de Paulo e eu de Apolo, já havia sido condenado na carta aos coríntios, a quem o próprio Paulo chamou de infantis na fé. Até quando a vaidade do estrelato e a vontade se fazer referência a um público só seu, semeará discórdia e afastamento, num corpo que deveria ser coeso e firme em todas as suas juntas?"

JLjr.

sábado, 25 de junho de 2016

terça-feira, 31 de maio de 2016

Conversas gravadas, pretensões reveladas. O que mais virá por aí?


Por Jânsen Leiros Jr.

Bem não começou o governo  Michel Temer, e dois de seus ministros já caíram por envolvimento em conversas gravadas, onde as influências políticas e forças ocultas pretendiam prejudicar o desenvolvimento dos trabalhos da operação Lava Jato, ou mesmo paralisá-lo, calando assim a boca do Procurador Geral da República, e do juiz Sérgio Moro.

De certa forma, aquilo que imaginávamos e até chegamos a escrever em nosso blog, na oportunidade ventilado como um incômodo provocado por declarações isoladas, começa a se revelar como pretensão implícita no movimento de impeachment da presidente, agora afastada, Dilma Rousseff.

Antes que se levantem os “coxinhas” de plantão, esclareço que sou tão “coxinha” quanto tantos outros brasileiros, e também fui partidário da admissibilidade do processo de impeachment de Dilma. Mas não podemos tapar os olhos para aquilo que já nos causava desconfiança, e que agora se desnuda da mais flagrante e inquestionável forma; gravações de conversas entre delatores e citados nas investigações da Lava Jato. Ora, a quem mais interessaria a suspensão dessa operação, se não a esses senhores?

Independente do processo de impeachment e do afastamento de Dilma, ainda que considerássemos o governo Temer recém saído das urnas, já seria tudo isso forte indício de haver um esquema de conveniências políticas pessoais ou corporativas. Quanto mais aviltante, em se tratando de um governo que emerge de um processo desejado e acompanhado pela maioria da população, e que auto se denomina como governo de recuperação nacional. Começam, na verdade, a se mostrar como um governo de recuperação da tranquilidade pessoal dos diversos envolvidos em esquemas denunciados, e de vários citados na Lava Jato.

O que nos trás algum alívio, é que pelo medo de morrerem sozinhos e se tornarem mártires solitários de um esquema que envolve tantos atores, os envolvidos se denunciam mutuamente e montam armadilhas entre eles mesmos, nos proporcionando esse circo de horrores de descaradas improbidades e lamentáveis desonestidades em todos os níveis da administração pública. Eles mesmos se suicidam uns aos outros.

Na prática, o que temos agora é uma rotina alterada de nossas vidas pacatas. Todos corremos para casa mais cedo, e em vez de ligarmos a televisão para assistirmos a novela das nove, esperamos todos o noticiário com o novo capítulo das gravações vazadas e das conversas escusas, por seus autores chamadas de “republicanas”. Existisse ainda a censura, apareceria na tela o aviso de que tal programa é impróprio para menores de dezoito anos. Afinal, que exemplo de moral e honestidade se pode dar a qualquer geração, quando aqueles que deveriam defender o direito e os interesses de seus eleitores, se ocupam de se locupletar do dinheiro público, e de esconder as pegadas e os vestígios de seus crimes?

No fim, de onde sairá a tão sonhada, pretendida e necessária legitimidade para o tal acordo de recuperação nacional? Sim, porque quando medidas forem anunciadas, quando os cortes forem feitos na carne do cidadão e contribuinte, como acreditaremos que são efetivamente necessárias, ou não passam de mais um golpe para atender interesses de quem domina e se beneficia de toda essa máquina de sumir dinheiro? Como já disse em artigos anteriores, eu desejo tanto estar totalmente errado…

terça-feira, 10 de maio de 2016

Série Grãos de Mostarda; Chegou a hora da mudança


"Jesus anunciava, já no início de seu ministério, que um novo tempo havia chegado. Um tempo em que o reino de Deus se estabeleceria; Mudem suas mentes e creiam na novidade que lhes será apresentada. A partir de agora viveremos sob o domínio de Deus. Parece incoerente, pois o mundo que vemos está como sempre foi: conflituoso, beligerante e pleno de ódio, oportunismo e descaso. Mas o tempo anunciado é o da revolução nos corações piedosos, em que o arrependimento nos leva de volta a Deus e ao seu reino e comando. Tempo onde um povo restaurado é reconhecido não por ritos e costumes, mas por corações inundados do seu amor, comunicando e multiplicando o cuidado de Deus com a humanidade. Arrependei-vos!"

JLjr.

sábado, 23 de abril de 2016

Declarações de arrepiar me deram medo de errar


Por Jânsen Leiros Jr.


Temer diz que não é amigo de Dilma e que não quer parecer conspirador.
“Nós não somos amigos porque ela não se considerava minha amiga”, declarou o vice.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/temer-diz-que-nao-amigo-de-dilma-que-nao-quer-parecer-conspirador-19144319.html#ixzz46hyIOjsu


Penso que minha posição de desconforto e indignação com o atual governo do PT não é segredo para ninguém. Por diversas razões que já declarei aqui, considero o governo Dilma, da metade do seu primeiro mandato até hoje, um dos mais desastrosos e desorientado comando que esse país já teve. A economia completamente afetada e a fragilidade política especialmente nesse segundo mandato, me fizeram tender, ainda que não muito convicto, a formar conceito favorável ao impeachment da presidente. Mas confesso que as declarações de ontem do vice-presidente Michel Temer me causaram arrepios e me deixaram muitas pulgas atrás da orelha.

Não é segredo para ninguém, que o PMDB se mantém na base aliada do governo do PT desde o primeiro mandato do então presidente Lula. E também não é segredo para ninguém, que Michel Temer há muito ocupa posição de comando e forte liderança dentro de seu partido, participando, inevitavelmente de todas as suas decisões e influenciando as escolhas e as diretrizes do partido. E sendo assim, e estando tão amplamente envolvido em indicações para ocupantes a cargos de diversos escalões do governo, tanto quanto a ministérios, como pode agora o vice-presidente querer se descolar da figura de governante, como se não tivesse qualquer responsabilidade sobre a situação em que se encontra o país, e ao mesmo tempo, surgir como uma espécie de conciliador dos interesses da nação?

Diante das declarações acima, foi inevitável pensar que talvez estejamos mesmo assistindo a uma engenhosa trama de conspiração, que visa impedir que tantos sejam alcançados pela justiça, nos diversos e promissores desdobramentos da operação Lava Jato. Não estaríamos nós todos, não obstante a legitimidade de nosso descontentamento com esse governo, servindo inocentemente de massa de manobra para esses crápulas que buscam fugir dos braços da lei e das ações do juiz Sérgio Moro? Confesso que isso passou a me incomodar muito nas últimas 48 horas.

Qualquer cidadão mais atento, e talvez mesmo o desatento, já ouviu dizer que Michel Temer teve seu nome citado em diversos depoimentos e em de delações premiadas no âmbito da operação Lava Jato. Assim como ele, diversas outras excelências, como Eduardo Cunha e Aécio Neves, entre outros, sendo o PP e não o PT, o partido com o maior número de políticos envolvidos nas apurações de corrupção e desvio de dinheiro público. Ora, por que será que a adesão dos citados ao processo de impeachment ocorreu com tanta presa após o PMDB desembarcar da base aliada do governo? Será que em todas essas manobras há indícios de casuísmo, ou eu é que estou vendo coisas? Não sei, mas ainda sinto arrepios.

Começo a temer que terminemos por legitimar a paralisação das investigações da operação da Lava Jato. Porque se algum mérito esse governo Dilma tem, foi o de efetivamente não interferir, ou pelo menos não conseguir interferir ou atrapalhar as investigações da PF e as ações do Procurador Geral da República. Mas o que esperar quando o governo for assumido por uma turma completamente implicada nas investigações, desde o eventual Presidente da República, até seu principais aliados políticos, facilitadores e sustentadores do... golpe?! Jamais pensei que acabaria dizendo uma coisa dessas, mesmo que por hipóteses.

Porque se a intenção com o impeachment é varrer do governo e do cenário político um partido que se demonstrou incompetente e corrupto, o que justificaria entregar esse mesmo governo e comando, a um grupo de políticos tão mais implicados e apontados como participantes da mesma corrupção? Não parece suspeito que haja tanta e repentina adesão a todo esse processo, exatamente dos que são citados nas delações premiadas? Qual a intenção de retirar do poder a presidente Dilma? Garantir de alguma forma a paralisação das investigações e salvar a própria pele?

Eu não sei quem é essa pessoa, ou eu nunca estive com essa pessoa, e agora nós não somos amigos. Tudo frase típica de quem tenta se descolar de alguém com quem esteve atado por interesses, quaisquer que sejam eles. Ao pretender parecer independente e não envolvido com absolutamente nenhum dos feitos desse governo, além de uma grande falácia, Michel Temer demonstra seu efetivo espírito de traição, aos laços que até bom pouco tempo lhe garantiram na posição de segundo mandatário da nação. Segundo ele sem qualquer envolvimento com a presidência, e por isso talvez não houvesse qualquer indicado do PMDB nos ministérios e nos primeiros e segundos escalões do governo. Só que não, como dizem meus filhos.

Portanto, creio que o impeachment seja inevitável. Mas começo a considerar que, se vamos sair do lodo, estamos prestes a meter os pés na lama. Que Deus tenha misericórdia desse país, e não permita que o tempo de expurgo da corrupção não esteja perto de morrer antes de efetivamente começar. Será muito ruim me arrepender de ter pretendido a coisa certa.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um simples sinistro de Perda Total


Por Jânsen Leiros Jr.


Eu fui PT
Empunhei bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha, fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles das campanhas de Lula
Me irritei com as seguidas derrotas
Gritei fora Collor, fora FHC e até fora Globo
Chamei o plano real de golpe
Falei que o “bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.

Eu fui PT por que tinha que ser
Eu sou trabalhador, e não democrata, nem liberal, nem comunista
Então o partido do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a faculdade, e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.

Eu fui PT por ideologia e não fisiologia.
Não ganhei um centavo, não viajei de graça, não estudei de graça, e nem acho graça nas coisas de graça.
Eu nunca achei golpe o pedido de impeachment de Collor, nem os diversos pedidos manejados contra Itamar ou FHC.
A constituição atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o presidente, e eu acho isso extremamente democrático.

Eu fui PT
E no ano de 2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase:
“A Esperança venceu o medo!” Eu estava trabalhando na madrugada daquele natal!

Eu fui PT,
E se as redes sociais existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys, ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, eles não são mais PT

Fui PT até quando deu pra ser. Até o dia que o “T”de trabalhador foi substituído pelo “T”de trapaça, de trambique. Por que não de Traição.

O partido dos trabalhadores se agarrou ao poder, e abraçou Renan, Sarney, Collor e até o Maluf, criou fantasias e contou mentiras, soltou a mão de pessoas honestas e sérias, e foi aí que deixei de ser PT.

Eu deixei de ser PT, e me surpreendo com você
Que contesta o fato de Cunha ser o condutor do impeachment
Mas jamais contestou o fato dele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB

Eu deixei de ser PT, e me decepciono com você
Que acusa Temer de ser golpista e bandido,
Mas jamais contestou o fato dele ser, desde o primeiro mandato, o vice presidente escolhido por Dilma

Eu deixei de ser PT, e me assusto com você
Que ao ouvir uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de uma delação pautada em provas, limita-se a falar em vazamento seletivo.
Que de frente a evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e o Juiz.

Eu deixei de ser PT, e me envergonho de você
Que aplaude políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na cadeia como se fossem vencedores e não ladrões
Que afirma que o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita por outros.

Eu deixei de ser PT, e me incomodo com você
Que vai as manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas, e enormes palcos, tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.

Eu deixei de ser PT, e não entendo você
Que fala em defesa da democracia, e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso eleito pelo povo.
Que fala em voto livre, mas aceita a compra parlamentares com cargos e dinheiro

Eu deixei de ser partido, continuo trabalhador... e você?
por Márcio Augusto Costa; 16/04/2016; Brasília DF


Quando em rodas de amigos insisto que o maior algoz do PT foi o próprio partido, seus defensores de plantão me criticam e quase me queimam em praça pública; logicamente falo dos extremistas. Tem gente muito boa ainda no PT. Mas como defendo ardorosamente, a crítica é um direito inalienável de todo ser humano. E da mesma maneira que gosto de garantir o direito a crítica de tudo que escrevo e digo, também me dou o direito de dizer abertamente o que penso, tanto quanto me reservo ainda mais o direito de criticar a conduta de um partido político que, antes de mais nada, como entidade pública, está mesmo a mercê de toda e qualquer crítica e comentário, qualquer que seja seu teor e natureza. Não há entidade pública acima do bem e do mal. Não é sacrilégio algum criticar o PT, o PSDB, o PCdoB ou qualquer outro partido político. Grande ou mesmo os chamados nanicos.

E ao utilizar o texto acima como base desse comentário, o faço por estar muito próximo de meu pensamento muito particular sobre a anatomia da derrocada desse partido no âmbito federal, que já foi depositário das esperanças mais legítimas e dos sonhos mais genuínos da classe trabalhadora, dos menos favorecidos, das minorias, e de todas as classes que o tinham como fiel defensor de seus interesses mais básicos.

Estou convencido de que tal descida ladeira abaixo iniciou-se na perda de seus princípios básicos e de seus expoentes efetivamente pensantes, no que diz respeito a pertinência e legalidade de suas lutas. Assim trocou-se a honestidade pela conveniência, e a consistência da virtude, pelo pragmatismo de resultado. Não deve ter sido sem motivos, que de lá saíram Hélio Bicudo, Plínio de Arruda Sampaio, e tantos outros fundadores, que tinham a romântica mas legítima pretensão de criarem uma sociedade mais justa e igualitária. Nem entro aqui no mérito de suas convicções político-sociais e econômicas, pois para defendê-las é que se constituem partidos diversos.

É óbvio que oportunistas de plantão se promovem e se promoverão às custas dessa triste realidade. E tentarão e até conseguirão tomar de assalto o poder e o governo que lhes foi confiado pelo voto desde o primeiro governo do Lula. Mas fazer o quê? Pois se por um lado falta até agora um argumento mais enfático para um impedimento da presidente Dilma, sobram oportunidades e brechas deixadas pelos passos aloprados de seu quadro político, que se perdeu na ambição de saquear os cofres públicos e tudo o mais que viram pela frente. Agiram como gafanhotos que devoram uma lavoura prestes a ser colhida.

Não, eu não fui petista. Diferentemente do autor do texto acima, a única vez em que votei no PT, foi no segundo turno contra o Collor, quando este foi eleito. De lá pra cá, nunca mais votei no PT; falo para presidente. Mas sinceramente, vi com muita simpatia a vitória de Lula quando de seu primeiro mandato. Eu pensava que não poderia ser tão ruim assim, como efetivamente não foi, um governo presidido por alguém que convivera de perto com as dificuldades mais reais e prementes do povo brasileiro. E quem em sã consciência pode negar que o primeiro governo do Lula foi um tempo de bons ventos para o Brasil. nem discuto aqui condições econômicas ou políticas, pois não é esse o mote desse comentário.

É impossível não reconhecer alguns importantes ganhos sociais adquiridos nesses tempos petistas. A própria autoestima da população estava diferente e havia alegria flagrante no eleitorado que se sentia satisfeito de perpetuar no poder, aqueles que entendiam estar lutando por suas vidas e suas necessidades. Mas o encanto acabou. E os repetidamente apregoados cinquenta e quatro milhões de votos de confiança, se foram penúria abaixo, à medida que os programas sociais não conseguem ser honrados, os repasses para estados e municípios não conseguem ser realizados, e os programas de incentivo à educação deixam milhares de mensalidades em aberto e outros tantos milhares de boletos chegando nas casas de quem dependia do apoio amplamente vaticinado como conquista. Conquistas essas arrancadas pelos próprios doadores. Simplesmente não há recursos para honrar tais compromissos. Por que será??

A sensação que fica, e eu digo sensação porque longe de poder ser verdade absoluta, é que os protagonistas de toda essa farra e desmandos, tinham como impulso último, uma vingança coletiva contra uma sociedade que lá atrás, não teve forças para defendê-los, nem com eles lutarem com armas contra a direita e contra a ditadura. Porque tenho dificuldade de aceitar que apenas ganâncias os tenha motivado. Até para ela, a ganância, há limites de comportamento. Mas o sentimento de vingança é insaciável. E o desejo de criar prejuízo como paga por um remorso não tem fim.

O Partido dos Trabalhadores precisará se reinventar. Passar-se a limpo. Se ele for maior que seus componentes, ele saberá dar fim a essa era triste da perseguição aos interesses de alguns, em detrimento do bem de todos. Do contrário morrerá na história, ou será tão igual quanto esses partidos de conveniências aos quais tanto critica, ou àqueles que hoje, oportunistas e convenientes, são por seu próprio quadro chamados de golpistas.

Acredito, portanto, que pesa sobre o PT mais do que os fatos insofismáveis a que assistimos em todo o processo político e judicial recente. Para quem minimamente conhece o funcionamento de ações comerciais, sabe que as descobertas da Lava Jato não têm nada de fantasiosas. O que pesa mais sobre o PT, é a decepção dos mais de cinquenta e quatro milhões de brasileiros, que se flagraram lutando honestamente por uma causa, que talvez jamais tenha existido nas intenções sinceras de suas lideranças. Porque nunca antes na história desse país, tantos decepcionaram tão profundamente a tanta gente.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Em "homenagem a Deus", tantos delitos...

Por Jânsen Leiros Jr.

Minha filha me encaminhou essa imagem pelo facebook, e confesso que não consegui me desvencilhar da sensação incômoda de que havia muito mais por trás de sua simplicidade, do que minha vã filosofia pode perceber num primeiro momento. E mais, tendo essa imagem invadido minha tela enquanto ainda respirava atônito os ares da votação do prosseguimento do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, logo intui que havia enorme relação entre o patético teatro armado ali, e a inquietante frase contida na imagem.

Quando digo teatro armado, não me refiro à pertinência do evento dentro do processo, nem estou julgando a pertinência ou legitimidade do impeachment. Não farei desse texto fórum para isso, ainda que não deixarei de comentá-lo. Mas o que me preocupa pontualmente e me motiva aqui, foi a patética e lamentável demonstração de oportunismo, falsidade e manipulação, por parte de tantos de suas excelências, ao declararem histrionicamente em nome de Deus, em nome de Jesus, em nome dos evangélicos, e até em nome da paz em Jerusalém ou em nome da nação de Israel. Um verdadeiro show de horrores, que me pesava no coração a cada instante, e me fazia lamentar tristemente os rumos do cristianismo em nosso país.

Antes de mais nada é preciso deixar claro que nada tenho contra um político tornar-se evangélico, ou qualquer evangélico tornar-se político. Se a vocação existe e os motivos forem genuínos, penso que nada há que lhe impeça o empreendimento. E em princípio, considero até oportuno que homens transformados pelo Espírito de Deus e cheios da comunhão com o Pai estejam em condições de liderança da nação, o que em tese pode promover uma sociedade mais justa e um estado mais acolhedor e preocupado com o cidadão; principalmente e prioritariamente os mais pobres. Infelizmente, porém, não é o que acontece, nem é ao que assistimos.

É bom que eu afirme também minha total e convicta opção por um estado laico. E antes que evangeliquistas de plantão tentem vociferar em contrários, deixem-me também explicar que minha opção segue estritamente motivos práticos e de total conveniência, inclusive aos evangélicos. Primeiro porque a Constituição do país assim determina. E segundo, porque um estado laico é a mais segura condição de que nossos direitos a culto e o exercício de nossa fé evangélica, serão insofismavelmente respeitados, assim como nos cabe, pelo mesmo rigor da lei, e em nosso caso pelo rigor da ética, respeitar as convicções religiosas ou não, e a devoção de terceiros. Sim, o mesmo seguro que nos garantirá continuada liberdade religiosa e de adoração a Deus e ao seu Cristo, também e incondicionalmente, deve e precisa garantir a todos os demais cidadãos, o direito a crer e a não crer no que quer que seja. O estado laico, portanto, protege ateus, hereges, religiosos de outras convicções e fé, e até mesmo os evangélicos.

O que vemos, porém, é um desfile de atos desproporcionais e totalmente inoportunos, onde a crença se torna escudo e cobertor das mais variadas e deploráveis atitudes, camuflando conveniências pessoais e interesses escusos, que se travestem em luta pela moral e os bons costumes, pela família, e por Deus. É importante salientar que Deus não precisa de quem o defenda. Ninguém precisa se considerar guardião de sua vontade e lei, pois sua lei e vontade se vivem no coração e individualmente, e não por força de uma legislação imposta e oportunista, que decrete atitudes hipócritas como lei.

Há quem pense que a existência de uma autodenominada bancada evangélica, defenderá os interesses dos evangélicos, e funcionará como uma espécie de defesa das leis de Deus, misturando para mal testemunho, casuísmo e doutrina. Ora, será que se a participação política, ou a existência hegemônica de um poder evangélico garantisse a existência de um mundo melhor, o próprio Messias não teria se manifestado como rei político e nacional, agindo com o poder da força e da lei? não foi assim mesmo que pensaram os judeus que aguardavam a restauração do reino a Israel? Se esse fosse o caminho, o próprio Jesus o teria utilizado, tenho certeza. Tal caminho, porém, não produz qualquer transformação, senão gestos frívolos de fachada, produzidos por adestramento. É na liberdade que se aperfeiçoa o amor.

No fundo, portanto, a evocação da crença nada mais é do que a tentativa de manipular aqueles que têm algum respeito pela crença evocada, criando uma espécie de sentimento de interesse comum, que pretensamente legitimará projetos pessoais para locupletação de poucos. Estamos vivendo tempos difíceis, em que a fútil imagem de algo bom, é laureada e festejada, no lugar do que é efetivamente probo porém desprezado. As aparências são melhores que as essências, o que contraria por completo a ética do Sermão do Monte, apenas como exemplo de que a formalidade do aparente, não legitima uma mentira encoberta.

A verdade é que estamos depreciando o nome de evangélico. Assisti isso atônito durante a votação na Câmara. Confesso que quando lia textos falando mal da bancada evangélica, me tomava um sentimento de solidariedade, pensando tratar-se de mais uma implicância sem fundamento qualquer, da parte dos desafetos da fé evangélica. Mas ao assistir ao vivo e a cores as mais absurdas patetices ao palanque, não tive mais qualquer dúvida de que estamos assistindo a uma autodepreciação do nome evangélico. Houve quem profetizasse raivosamente contra a Rede Globo, num surto de ódio e segregação de princípios, como quem se coloca acima do bem e do mal. O nobre deputado espumava e lançava perdigotos, enquanto maldizia a emissora, sem considerar, sequer, as milhares de famílias que dali dependem para sobreviver, sem contar os inúmeros irmãos na fé que suam aquela camisa e lá trabalham com orgulho e dedicação a Deus. Ora, em que somos melhores de quem quer que seja? A mania que todos temos de nos acharmos um pouco messias. E ainda disse tudo em nome do Senhor Jesus. E eu tremi de zelo e temi por todos nós.

A contragosto, apenas porque de onde menos se esperava, a mais equilibrada das intervenções no tocante ao tema desse texto, veio exatamente do deputado Patrus Ananias, pasmem, do PT. Ele iniciou dizendo de sua estranheza e incômodo, com a maneira destemida e inapropriada com que tantos estavam usando o nome de Deus em vão. Seria a mula chamando advertindo Balaão? Me parece perfeita essa comparação, pois houve mesmo quem se dissesse, com seu voto, estar homenageando os mais de "cinquenta milhões de evangélicos desse país". Não discuto os números e nem vem ao caso. Mas eu pergunto: Se somos tantos comparativamente aos poucos milhões do final da década de oitenta, por que então o país não está melhor? Sim, porque lembro bem que em nossas campanhas de evangelização nacional, criamos que quanto maior fôssemos em número, melhor seria nossa sociedade. O que então deu errado? Ou o evangelho não é capaz de melhorar uma sociedade, ou nosso cristianismo não passa de um estilo de vida segregador e formador de uma tribo que se orgulha de seus poderes e da capacidade que tem de arregimentar e manipular massas.


Ora, não é legislando que se vive o evangelho. Se assim fosse não existiria a graça e as leis bastariam para uma sociedade melhor e justa. Devemos ser cartas vivas. Nós devemos ser as tábuas da lei, reflexos inequívocos de Jesus, cheios do Espírito Santo, sendo referência e influenciando a sociedade por uma novidade de vida, e não por costumes tribais impostos a fórceps ao poder da lei ou das manipulações políticas. É mais demorado? Sim, mas é pra sempre. E começa aqui, em mim. E aí em você. Depois mais ali em algum outro, e depois, e depois. Pequenos começos, que nem é mais tão pequeno assim. Mas que precisa ser, acima de tudo, legítimo e consequente.