sábado, 25 de junho de 2016
Vem aí, Gospel View
Quando você assistir essa entrada, tenha certeza de que logo descobrirá um mundo novo de conteúdo relevante...
terça-feira, 31 de maio de 2016
Conversas gravadas, pretensões reveladas. O que mais virá por aí?
Por Jânsen Leiros Jr.
Bem não começou o governo Michel Temer, e dois de seus ministros já caíram
por envolvimento em conversas gravadas, onde as influências políticas e forças
ocultas pretendiam prejudicar o desenvolvimento dos trabalhos da operação Lava
Jato, ou mesmo paralisá-lo, calando assim a boca do Procurador Geral da República,
e do juiz Sérgio Moro.
De certa forma, aquilo que
imaginávamos e até chegamos a escrever em nosso blog, na oportunidade ventilado
como um incômodo provocado por declarações isoladas, começa a se revelar como
pretensão implícita no movimento de impeachment da presidente, agora afastada,
Dilma Rousseff.
Antes que se levantem os “coxinhas” de
plantão, esclareço que sou tão “coxinha” quanto tantos outros brasileiros, e
também fui partidário da admissibilidade do processo de impeachment de Dilma.
Mas não podemos tapar os olhos para aquilo que já nos causava desconfiança, e
que agora se desnuda da mais flagrante e inquestionável forma; gravações de
conversas entre delatores e citados nas investigações da Lava Jato. Ora, a quem
mais interessaria a suspensão dessa operação, se não a esses senhores?
Independente do processo de
impeachment e do afastamento de Dilma, ainda que considerássemos o governo
Temer recém saído das urnas, já seria tudo isso forte indício de haver um
esquema de conveniências políticas pessoais ou corporativas. Quanto mais
aviltante, em se tratando de um governo que emerge de um processo desejado e
acompanhado pela maioria da população, e que auto se denomina como governo de
recuperação nacional. Começam, na verdade, a se mostrar como um governo de
recuperação da tranquilidade pessoal dos diversos envolvidos em esquemas
denunciados, e de vários citados na Lava Jato.
O que nos trás algum alívio, é que
pelo medo de morrerem sozinhos e se tornarem mártires solitários de um esquema
que envolve tantos atores, os envolvidos se denunciam mutuamente e montam
armadilhas entre eles mesmos, nos proporcionando esse circo de horrores de
descaradas improbidades e lamentáveis desonestidades em todos os níveis da
administração pública. Eles mesmos se suicidam uns aos outros.
Na prática, o que temos agora é uma
rotina alterada de nossas vidas pacatas. Todos corremos para casa mais cedo, e
em vez de ligarmos a televisão para assistirmos a novela das nove, esperamos
todos o noticiário com o novo capítulo das gravações vazadas e das conversas
escusas, por seus autores chamadas de “republicanas”. Existisse ainda a
censura, apareceria na tela o aviso de que tal programa é impróprio para
menores de dezoito anos. Afinal, que exemplo de moral e honestidade se pode dar
a qualquer geração, quando aqueles que deveriam defender o direito e os
interesses de seus eleitores, se ocupam de se locupletar do dinheiro público, e
de esconder as pegadas e os vestígios de seus crimes?
No fim, de onde sairá a tão sonhada,
pretendida e necessária legitimidade para o tal acordo de recuperação nacional?
Sim, porque quando medidas forem anunciadas, quando os cortes forem feitos na
carne do cidadão e contribuinte, como acreditaremos que são efetivamente
necessárias, ou não passam de mais um golpe para atender interesses de quem
domina e se beneficia de toda essa máquina de sumir dinheiro? Como já disse em
artigos anteriores, eu desejo tanto estar totalmente errado…
terça-feira, 10 de maio de 2016
Série Grãos de Mostarda; Chegou a hora da mudança
"Jesus anunciava, já no início de
seu ministério, que um novo tempo havia chegado. Um tempo em que o reino de
Deus se estabeleceria; Mudem suas mentes
e creiam na novidade que lhes será apresentada. A partir de agora viveremos sob
o domínio de Deus. Parece incoerente, pois o mundo que vemos está como
sempre foi: conflituoso, beligerante e pleno de ódio, oportunismo e descaso.
Mas o tempo anunciado é o da revolução nos corações piedosos, em que o
arrependimento nos leva de volta a Deus e ao seu reino e comando. Tempo onde um
povo restaurado é reconhecido não por ritos e costumes, mas por corações
inundados do seu amor, comunicando e multiplicando o cuidado de Deus com a
humanidade. Arrependei-vos!"
JLjr.
sábado, 23 de abril de 2016
Declarações de arrepiar me deram medo de errar
Por Jânsen Leiros Jr.
Temer diz que
não é amigo de Dilma e que não quer parecer conspirador.
“Nós não somos
amigos porque ela não se considerava minha amiga”, declarou o vice.
Leia mais:
http://extra.globo.com/noticias/brasil/temer-diz-que-nao-amigo-de-dilma-que-nao-quer-parecer-conspirador-19144319.html#ixzz46hyIOjsu
Penso que minha posição de desconforto
e indignação com o atual governo do PT não é segredo para ninguém. Por diversas
razões que já declarei aqui, considero o governo Dilma, da metade do seu
primeiro mandato até hoje, um dos mais desastrosos e desorientado comando que
esse país já teve. A economia completamente afetada e a fragilidade política especialmente
nesse segundo mandato, me fizeram tender, ainda que não muito convicto, a
formar conceito favorável ao impeachment da presidente. Mas confesso que as
declarações de ontem do vice-presidente Michel Temer me causaram arrepios e me
deixaram muitas pulgas atrás da orelha.
Não é segredo para ninguém, que o PMDB
se mantém na base aliada do governo do PT desde o primeiro mandato do então
presidente Lula. E também não é segredo para ninguém, que Michel Temer há muito
ocupa posição de comando e forte liderança dentro de seu partido, participando,
inevitavelmente de todas as suas decisões e influenciando as escolhas e as
diretrizes do partido. E sendo assim, e estando tão amplamente envolvido em
indicações para ocupantes a cargos de diversos escalões do governo, tanto
quanto a ministérios, como pode agora o vice-presidente querer se descolar da
figura de governante, como se não tivesse qualquer responsabilidade sobre a
situação em que se encontra o país, e ao mesmo tempo, surgir como uma espécie
de conciliador dos interesses da nação?
Diante das declarações acima, foi
inevitável pensar que talvez estejamos mesmo assistindo a uma engenhosa trama
de conspiração, que visa impedir que tantos sejam alcançados pela justiça, nos
diversos e promissores desdobramentos da operação Lava Jato. Não estaríamos nós
todos, não obstante a legitimidade de nosso descontentamento com esse governo,
servindo inocentemente de massa de manobra para esses crápulas que buscam fugir
dos braços da lei e das ações do juiz Sérgio Moro? Confesso que isso passou a
me incomodar muito nas últimas 48 horas.
Qualquer cidadão mais atento, e talvez
mesmo o desatento, já ouviu dizer que Michel Temer teve seu nome citado em
diversos depoimentos e em de delações premiadas no âmbito da operação Lava
Jato. Assim como ele, diversas outras excelências,
como Eduardo Cunha e Aécio Neves, entre outros, sendo o PP e não o PT, o partido
com o maior número de políticos envolvidos nas apurações de corrupção e desvio
de dinheiro público. Ora, por que será que a adesão dos citados ao processo de
impeachment ocorreu com tanta presa após o PMDB desembarcar da base aliada do governo? Será que em todas essas
manobras há indícios de casuísmo, ou eu é que estou vendo coisas? Não sei, mas ainda
sinto arrepios.
Começo a temer que terminemos por
legitimar a paralisação das investigações da operação da Lava Jato. Porque se
algum mérito esse governo Dilma tem, foi o de efetivamente não interferir, ou
pelo menos não conseguir interferir ou atrapalhar as investigações da PF e as
ações do Procurador Geral da República. Mas o que esperar quando o governo for
assumido por uma turma completamente implicada nas investigações, desde o
eventual Presidente da República, até seu principais aliados políticos,
facilitadores e sustentadores do... golpe?! Jamais pensei que acabaria dizendo
uma coisa dessas, mesmo que por hipóteses.
Porque se a intenção com o impeachment
é varrer do governo e do cenário político um partido que se demonstrou
incompetente e corrupto, o que justificaria entregar esse mesmo governo e
comando, a um grupo de políticos tão mais implicados e apontados como
participantes da mesma corrupção? Não parece suspeito que haja tanta e repentina
adesão a todo esse processo, exatamente dos que são citados nas delações
premiadas? Qual a intenção de retirar do poder a presidente Dilma? Garantir de
alguma forma a paralisação das investigações e salvar a própria pele?
Eu
não sei quem é essa pessoa, ou eu nunca estive com essa pessoa, e agora nós não somos amigos. Tudo frase típica de quem tenta se descolar
de alguém com quem esteve atado por interesses, quaisquer que sejam eles. Ao
pretender parecer independente e não envolvido com absolutamente nenhum dos
feitos desse governo, além de uma grande falácia, Michel Temer demonstra seu
efetivo espírito de traição, aos
laços que até bom pouco tempo lhe garantiram na posição de segundo mandatário
da nação. Segundo ele sem qualquer
envolvimento com a presidência, e por isso talvez não houvesse qualquer indicado do PMDB nos ministérios e nos
primeiros e segundos escalões do governo. Só que não, como dizem meus filhos.
Portanto, creio que o impeachment seja
inevitável. Mas começo a considerar que, se vamos sair do lodo, estamos prestes
a meter os pés na lama. Que Deus tenha misericórdia desse país, e não permita
que o tempo de expurgo da corrupção não esteja perto de morrer antes de efetivamente
começar. Será muito ruim me arrepender de ter pretendido a coisa certa.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Um simples sinistro de Perda Total
Por Jânsen Leiros Jr.
Eu fui PT
Empunhei
bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha,
fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles
das campanhas de Lula
Me irritei com
as seguidas derrotas
Gritei fora
Collor, fora FHC e até fora Globo
Chamei o plano
real de golpe
Falei que o
“bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.
Eu fui PT por
que tinha que ser
Eu sou
trabalhador, e não democrata, nem liberal, nem comunista
Então o partido
do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a
faculdade, e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua
casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.
Eu fui PT por
ideologia e não fisiologia.
Não ganhei um
centavo, não viajei de graça, não estudei de graça, e nem acho graça nas coisas
de graça.
Eu nunca achei
golpe o pedido de impeachment de Collor, nem os diversos pedidos manejados
contra Itamar ou FHC.
A constituição
atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o
presidente, e eu acho isso extremamente democrático.
Eu fui PT
E no ano de
2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase:
“A Esperança
venceu o medo!” Eu estava trabalhando na madrugada daquele natal!
Eu fui PT,
E se as redes
sociais existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys,
ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira,
eles não são mais PT
Fui PT até
quando deu pra ser. Até o dia que o “T”de trabalhador foi substituído pelo
“T”de trapaça, de trambique. Por que não de Traição.
O partido dos
trabalhadores se agarrou ao poder, e abraçou Renan, Sarney, Collor e até o Maluf,
criou fantasias e contou mentiras, soltou a mão de pessoas honestas e sérias, e
foi aí que deixei de ser PT.
Eu deixei de
ser PT, e me surpreendo com você
Que contesta o
fato de Cunha ser o condutor do impeachment
Mas jamais
contestou o fato dele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB
Eu deixei de
ser PT, e me decepciono com você
Que acusa Temer
de ser golpista e bandido,
Mas jamais
contestou o fato dele ser, desde o primeiro mandato, o vice presidente
escolhido por Dilma
Eu deixei de ser
PT, e me assusto com você
Que ao ouvir
uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de
uma delação pautada em provas, limita-se a falar em vazamento seletivo.
Que de frente a
evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e
o Juiz.
Eu deixei de
ser PT, e me envergonho de você
Que aplaude
políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na
cadeia como se fossem vencedores e não ladrões
Que afirma que
o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do
sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que
não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita
por outros.
Que vai as
manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas, e enormes palcos,
tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado
dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.
Eu deixei de
ser PT, e não entendo você
Que fala em
defesa da democracia, e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso
eleito pelo povo.
Que fala em
voto livre, mas aceita a compra parlamentares com cargos e dinheiro
Eu deixei de
ser partido, continuo trabalhador... e você?
por Márcio
Augusto Costa; 16/04/2016; Brasília DF
Quando em rodas de amigos insisto que
o maior algoz do PT foi o próprio partido, seus defensores de plantão me
criticam e quase me queimam em praça pública; logicamente falo dos extremistas.
Tem gente muito boa ainda no PT. Mas como defendo ardorosamente, a crítica é um
direito inalienável de todo ser humano. E da mesma maneira que gosto de
garantir o direito a crítica de tudo que escrevo e digo, também me dou o
direito de dizer abertamente o que penso, tanto quanto me reservo ainda mais o
direito de criticar a conduta de um partido político que, antes de mais nada,
como entidade pública, está mesmo a mercê de toda e qualquer crítica e comentário,
qualquer que seja seu teor e natureza. Não há entidade pública acima do bem e
do mal. Não é sacrilégio algum criticar o PT, o PSDB, o PCdoB ou qualquer outro
partido político. Grande ou mesmo os chamados nanicos.
E ao utilizar o texto acima como base
desse comentário, o faço por estar muito próximo de meu pensamento muito particular
sobre a anatomia da derrocada desse partido no âmbito federal, que já foi
depositário das esperanças mais legítimas e dos sonhos mais genuínos da classe
trabalhadora, dos menos favorecidos, das minorias, e de todas as classes que o
tinham como fiel defensor de seus interesses mais básicos.
Estou convencido de que tal descida
ladeira abaixo iniciou-se na perda de seus princípios básicos e de seus
expoentes efetivamente pensantes, no que diz respeito a pertinência e
legalidade de suas lutas. Assim trocou-se a honestidade pela conveniência, e a
consistência da virtude, pelo pragmatismo de resultado. Não deve ter sido sem
motivos, que de lá saíram Hélio Bicudo, Plínio de Arruda Sampaio, e tantos
outros fundadores, que tinham a romântica mas legítima pretensão de criarem uma
sociedade mais justa e igualitária. Nem entro aqui no mérito de suas convicções
político-sociais e econômicas, pois para defendê-las é que se constituem
partidos diversos.
É óbvio que oportunistas de plantão se
promovem e se promoverão às custas dessa triste realidade. E tentarão e até
conseguirão tomar de assalto o poder e o governo que lhes foi confiado pelo
voto desde o primeiro governo do Lula. Mas fazer o quê? Pois se por um lado
falta até agora um argumento mais enfático para um impedimento da presidente
Dilma, sobram oportunidades e brechas deixadas pelos passos aloprados de seu quadro político, que se
perdeu na ambição de saquear os cofres públicos e tudo o mais que viram pela
frente. Agiram como gafanhotos que devoram uma lavoura prestes a ser colhida.
Não, eu não fui petista.
Diferentemente do autor do texto acima, a única vez em que votei no PT, foi no
segundo turno contra o Collor, quando este foi eleito. De lá pra cá, nunca mais
votei no PT; falo para presidente. Mas sinceramente, vi com muita simpatia a
vitória de Lula quando de seu primeiro mandato. Eu pensava que não poderia ser
tão ruim assim, como efetivamente não foi, um governo presidido por alguém que
convivera de perto com as dificuldades mais reais e prementes do povo brasileiro.
E quem em sã consciência pode negar que o primeiro governo do Lula foi um tempo
de bons ventos para o Brasil. nem discuto aqui condições econômicas ou políticas,
pois não é esse o mote desse comentário.
É impossível não reconhecer alguns
importantes ganhos sociais adquiridos nesses tempos petistas. A própria
autoestima da população estava diferente e havia alegria flagrante no
eleitorado que se sentia satisfeito de perpetuar no poder, aqueles que
entendiam estar lutando por suas vidas e suas necessidades. Mas o encanto acabou.
E os repetidamente apregoados cinquenta e quatro milhões de votos de confiança,
se foram penúria abaixo, à medida que os programas sociais não conseguem ser
honrados, os repasses para estados e municípios não conseguem ser realizados, e
os programas de incentivo à educação deixam milhares de mensalidades em aberto
e outros tantos milhares de boletos chegando nas casas de quem dependia do
apoio amplamente vaticinado como conquista. Conquistas essas arrancadas pelos
próprios doadores. Simplesmente não há recursos para honrar tais compromissos.
Por que será??
A sensação que fica, e eu digo
sensação porque longe de poder ser verdade absoluta, é que os protagonistas de
toda essa farra e desmandos, tinham como impulso último, uma vingança coletiva
contra uma sociedade que lá atrás, não teve forças para defendê-los, nem com
eles lutarem com armas contra a direita e contra a ditadura. Porque tenho
dificuldade de aceitar que apenas ganâncias os tenha motivado. Até para ela, a
ganância, há limites de comportamento. Mas o sentimento de vingança é
insaciável. E o desejo de criar prejuízo como paga por um remorso não tem fim.
O Partido dos Trabalhadores precisará
se reinventar. Passar-se a limpo. Se ele for maior que seus componentes, ele
saberá dar fim a essa era triste da perseguição aos interesses de alguns, em
detrimento do bem de todos. Do contrário morrerá na história, ou será tão igual
quanto esses partidos de conveniências aos quais tanto critica, ou àqueles que
hoje, oportunistas e convenientes, são por seu próprio quadro chamados de
golpistas.
Acredito, portanto, que pesa sobre o
PT mais do que os fatos insofismáveis a que assistimos em todo o processo
político e judicial recente. Para quem minimamente conhece o funcionamento de
ações comerciais, sabe que as descobertas da Lava Jato não têm nada de fantasiosas.
O que pesa mais sobre o PT, é a decepção dos mais de cinquenta e quatro milhões
de brasileiros, que se flagraram lutando honestamente por uma causa, que talvez
jamais tenha existido nas intenções sinceras de suas lideranças. Porque nunca antes na história desse país,
tantos decepcionaram tão profundamente a tanta gente.
terça-feira, 19 de abril de 2016
Em "homenagem a Deus", tantos delitos...
Por Jânsen Leiros Jr.
Minha filha me encaminhou essa imagem
pelo facebook, e confesso que não consegui me desvencilhar da sensação incômoda
de que havia muito mais por trás de sua simplicidade, do que minha vã filosofia pode perceber num primeiro
momento. E mais, tendo essa imagem invadido minha tela enquanto ainda respirava
atônito os ares da votação do prosseguimento do processo de impeachment na
Câmara dos Deputados, logo intui que havia enorme relação entre o patético teatro armado ali, e a inquietante frase
contida na imagem.
Quando digo teatro armado, não me refiro à pertinência do evento dentro do
processo, nem estou julgando a pertinência ou legitimidade do impeachment. Não
farei desse texto fórum para isso, ainda que não deixarei de comentá-lo. Mas o
que me preocupa pontualmente e me motiva aqui, foi a patética e lamentável
demonstração de oportunismo, falsidade e manipulação, por parte de tantos de
suas excelências, ao declararem histrionicamente em nome de Deus, em nome de
Jesus, em nome dos evangélicos, e
até em nome da paz em Jerusalém ou em nome da nação de Israel. Um
verdadeiro show de horrores, que me pesava no coração a cada instante, e me
fazia lamentar tristemente os rumos do cristianismo em nosso país.
Antes de mais nada é preciso deixar
claro que nada tenho contra um político tornar-se evangélico, ou qualquer
evangélico tornar-se político. Se a vocação existe e os motivos forem genuínos,
penso que nada há que lhe impeça o empreendimento. E em princípio, considero até
oportuno que homens transformados pelo Espírito de Deus e cheios da comunhão
com o Pai estejam em condições de liderança da nação, o que em tese pode
promover uma sociedade mais justa e um estado mais acolhedor e preocupado com o
cidadão; principalmente e prioritariamente os mais pobres. Infelizmente, porém,
não é o que acontece, nem é ao que assistimos.
É bom que eu afirme também minha total
e convicta opção por um estado laico. E antes que evangeliquistas de plantão tentem vociferar em contrários, deixem-me
também explicar que minha opção segue estritamente motivos práticos e de total
conveniência, inclusive aos evangélicos. Primeiro porque a Constituição do país
assim determina. E segundo, porque um estado laico é a mais segura condição de
que nossos direitos a culto e o exercício de nossa fé evangélica, serão
insofismavelmente respeitados, assim como nos cabe, pelo mesmo rigor da lei, e
em nosso caso pelo rigor da ética, respeitar as convicções religiosas ou não, e
a devoção de terceiros. Sim, o mesmo seguro que nos garantirá continuada
liberdade religiosa e de adoração a Deus e ao seu Cristo, também e
incondicionalmente, deve e precisa garantir a todos os demais cidadãos, o
direito a crer e a não crer no que quer que seja. O estado laico, portanto,
protege ateus, hereges, religiosos de outras convicções e fé, e até mesmo os
evangélicos.
O que vemos, porém, é um desfile de
atos desproporcionais e totalmente inoportunos, onde a crença se torna escudo e
cobertor das mais variadas e deploráveis atitudes, camuflando conveniências
pessoais e interesses escusos, que se travestem em luta pela moral e os bons
costumes, pela família, e por Deus. É importante salientar que Deus não precisa
de quem o defenda. Ninguém precisa se considerar guardião de sua vontade e lei,
pois sua lei e vontade se vivem no coração e individualmente, e não por força
de uma legislação imposta e oportunista, que decrete atitudes hipócritas como
lei.
Há quem pense que a existência de uma
autodenominada bancada evangélica, defenderá os interesses dos evangélicos, e
funcionará como uma espécie de defesa das leis de Deus, misturando para mal
testemunho, casuísmo e doutrina. Ora, será que se a participação política, ou a
existência hegemônica de um poder evangélico garantisse a existência de um
mundo melhor, o próprio Messias não teria se manifestado como rei político e
nacional, agindo com o poder da força e da lei? não foi assim mesmo que
pensaram os judeus que aguardavam a restauração do reino a Israel? Se esse
fosse o caminho, o próprio Jesus o teria utilizado, tenho certeza. Tal caminho,
porém, não produz qualquer transformação, senão gestos frívolos de fachada,
produzidos por adestramento. É na liberdade que se aperfeiçoa o amor.
No fundo, portanto, a evocação da
crença nada mais é do que a tentativa de manipular aqueles que têm algum
respeito pela crença evocada, criando uma espécie de sentimento de interesse
comum, que pretensamente legitimará projetos pessoais para locupletação de
poucos. Estamos vivendo tempos difíceis, em que a fútil imagem de algo bom, é
laureada e festejada, no lugar do que é efetivamente probo porém desprezado. As
aparências são melhores que as essências, o que contraria por completo a ética
do Sermão do Monte, apenas como exemplo de que a formalidade do aparente, não
legitima uma mentira encoberta.
A verdade é que estamos depreciando o
nome de evangélico. Assisti isso atônito durante a votação na Câmara. Confesso
que quando lia textos falando mal da bancada evangélica, me tomava um
sentimento de solidariedade, pensando tratar-se de mais uma implicância sem
fundamento qualquer, da parte dos desafetos da fé evangélica. Mas ao assistir ao vivo e a cores as mais absurdas
patetices ao palanque, não tive mais qualquer dúvida de que estamos assistindo
a uma autodepreciação do nome evangélico. Houve quem profetizasse raivosamente
contra a Rede Globo, num surto de ódio e segregação de princípios, como quem se
coloca acima do bem e do mal. O nobre deputado espumava e lançava perdigotos,
enquanto maldizia a emissora, sem considerar, sequer, as milhares de famílias
que dali dependem para sobreviver, sem contar os inúmeros irmãos na fé que suam
aquela camisa e lá trabalham com orgulho e dedicação a Deus. Ora, em que somos
melhores de quem quer que seja? A mania que todos temos de nos acharmos um
pouco messias. E ainda disse tudo em
nome do Senhor Jesus. E eu tremi de zelo e temi por todos nós.
A contragosto, apenas porque de onde menos se esperava, a mais equilibrada das
intervenções no tocante ao tema desse texto, veio exatamente do deputado Patrus
Ananias, pasmem, do PT. Ele iniciou dizendo de sua estranheza e incômodo, com a
maneira destemida e inapropriada com que tantos estavam usando o nome de Deus
em vão. Seria a mula chamando advertindo Balaão? Me parece perfeita essa
comparação, pois houve mesmo quem se dissesse, com seu voto, estar homenageando
os mais de "cinquenta milhões de evangélicos desse país". Não discuto
os números e nem vem ao caso. Mas eu pergunto: Se somos tantos comparativamente
aos poucos milhões do final da década de oitenta, por que então o país não está
melhor? Sim, porque lembro bem que em nossas campanhas de evangelização
nacional, criamos que quanto maior fôssemos em número, melhor seria nossa
sociedade. O que então deu errado? Ou o evangelho não é capaz de melhorar uma
sociedade, ou nosso cristianismo não passa de um estilo de vida segregador e
formador de uma tribo que se orgulha de seus poderes e da capacidade que tem de
arregimentar e manipular massas.
Ora, não é legislando que se vive o
evangelho. Se assim fosse não existiria a graça e as leis bastariam para uma
sociedade melhor e justa. Devemos ser cartas vivas. Nós devemos ser as tábuas
da lei, reflexos inequívocos de Jesus, cheios do Espírito Santo, sendo
referência e influenciando a sociedade por uma novidade de vida, e não por
costumes tribais impostos a fórceps ao poder da lei ou das manipulações políticas.
É mais demorado? Sim, mas é pra sempre. E começa aqui, em mim. E aí em você.
Depois mais ali em algum outro, e depois, e depois. Pequenos começos, que nem é
mais tão pequeno assim. Mas que precisa ser, acima de tudo, legítimo e consequente.
sábado, 26 de março de 2016
Nem esquerda, nem direita. Com toda convicção
Por Jânsen Leiros Jr.
"Aprendi com Juan
Luis Segundo[1] que teólogo não tomar posição em situações críticas na
sociedade, para não correr risco de errar, é um erro maior."
"Concordo plenamente",
respondi de pronto ao ler. E não me arrependo do que respondi, embora, confesso,
não refleti nem um segundo sequer antes de escrever e enviar meu comentário. Não
podemos mesmo fugir dessa responsabilidade de firmar posição, temendo que as
incertezas quanto ao rumo dos fatos e das circunstâncias, nos forcem em futuro
próximo ou mesmo em longo prazo, a rever posições e argumentos, defesas ou ataques,
que tenhamos feito no calor do cenário em que estejamos atualmente envolvidos. É
preciso coragem e posicionamento.
Afirmo isso e reafirmo, embora tenha
sido, por alguns, acusado de não ter declarado abertamente a minha posição
relativamente aos acontecimentos que têm causado esse turbilhão no cenário
nacional brasileiro. "Você está em cima do muro", disseram, entendendo
que diante das circunstâncias que estão provocando crescentes e insuportáveis incertezas
na política e na economia, não tenha sido claro quanto ao lado a que me
alinhei. Ora, o meu lado é tão inquestionável, tão óbvio a quem me lê
regularmente... O meu lado é o do fim da corrupção, e o da recuperação econômica
do país o mais rápida e consistentemente possível.
Lamento muito que isso deva frustrar
os mais acirrados militantes e os apaixonados partidários de plantão. Mas não
me verão jamais vestindo camisas de nenhum dos lados, por um motivo muito
simples e firme. Em ambos os lados que por hora se polarizam, não há qualquer
sombra de coerência no espectro mais amplo de suas aspirações. Ou seja, se não
me ouvirão gritar "fora Dilma", tão pouco levantarei a voz para dizer
"não vai ter golpe". E acreditem-me, isso não é ficar indeciso ou em cima do muro. É antes uma posição
muito firme e convicta, de quem não concorda com qualquer atitude alienada, que
fuja da responsabilidade cidadã de participar e contribuir nesse momento tão crítico
do país.
Quem me acompanha por aqui, sabe que desde
antes das eleições de 2014, venho me posicionando com clareza sobre os
movimentos, tanto da situação quanto da oposição, repudiando veementemente todas
as suas falas incoerentes e puramente partidárias. Os textos estão todos por
aqui no blog. É só buscar e ler. E se o fizerem, perceberão que minha principal
preocupação, há algum tempo, vinha sendo exatamente essa polarização burra e
partidária, que torna cega e oportunista cada movimentação nesse tabuleiro do
jogo político. E que fique claro, cega
por parte das militâncias e apaixonados, e oportunista
por parte das lideranças de direito ou de ocasião.
Penso, sem qualquer dúvida, que é
completamente conveniente, casuísta e manipuladora, a argumentação do governo
de que há um movimento golpista por parte da oposição e de determinados setores
da sociedade, que tenta lhes arrancar do poder simplesmente porque não aceitam os resultados das urnas em
outubro de 2014. Os governistas e suas militâncias tentam banalizar os
fatos, fingindo não existirem as estarrecedoras descobertas sobre a corrupção
que se instalou estruturadamente nos diversos escalões do poder.
Por outro lado, assistimos à mais tímida
e pouco convicta ação de determinados expoentes da oposição, tamanho grau de
envolvimento e sujeira em estão igualmente enterrados até o pescoço. Sim,
porque está claro para toda a sociedade, que se o atual governo e seus aliados
estão comprometidos com esse mar de lama que se agiganta a cada movimento da
operação Lava Jato, diversos oposicionistas estão apavorados com o que ainda
poderá vir a ser descoberto pelo MPF e os investigadores da PF. Nesse ponto tem
toda razão o ex-presidente Lula em sua conversa com a presidente Dilma; temos
um congresso "acovardado".
Ora, se estão acovardados diante de uma operação que avança mar de lama adentro, é porque todos têm receio de que poderão ser
descobertos a qualquer momento, passando ao discurso cínico e de aparente
indignação, condenando o sofá da sala
e o infeliz que acendeu a luz do
quarto onde, às escuras, cometiam seus crimes com tranquila e bem cômoda
impunidade.
Sou totalmente a favor, portanto, do
avanço e da continuidade implacável da operação Lava Jato. E embora entenda os
limites legais a que se deve subordinar o juiz Sérgio Moro, uma vez que
flagrantemente se joga com os parâmetros
da lei e os ritos processuais ardilosamente para favorecer criminosos, e
considerando ser isso uma inversão de propósito, gostaria de ver o foro privilegiado de todos suspenso, e
as investigações mantidas nas mãos de quem já se demonstrou imparcial e ainda
alheio ao execrável jogo de conveniências políticas, que contaminou grande
parte dos integrantes dos poderes constituídos desse país.
Mas que se perceba com isso outra
clara posição minha. Enquanto a presidente Dilma não for envolvida direta ou
indiretamente em qualquer dos crimes investigados pela operação Lava Jato em
suas mais diversas fases, e por mais legítimo que seja o processo a que
responderá pelas chamadas pedaladas
fiscais, é preciso que a legitimidade de sua eleição seja respeitada, não
se arrancando sua excelência de sua cadeira precipitadamente, antes que o
processo corra todo seu rito de legalidade. Digo isso porque, na prática e de
forma indevida, a estamos depondo mesmo antes do final do processo, provocando
em determinadas situações e circunstâncias, uma incômoda sensação de
ilegitimidade, a um processo que poderia ter, em sua vocação de espontaneidade
popular, o mais desejável e insofismável direito de se sobrepujar às manobras
de quem pretende escapar da justiça.
Por tudo isso, talvez, eu tenha
gostado tanto de ver Aécio e a comitiva do PSDB sendo hostilizada pelos
manifestantes na capital paulista, no último treze de Março, quando com a cara de pau e o oportunismo que é próprio a essa gente, tentaram se autopromover, participando
de uma manifestação onde eles seguramente não nos representavam. Até porque,
pelo andar da Lava Jato, em breve voltaremos às ruas para pedir igualmente por
investigações desses senhores, e de tantos outros que ainda se encontram em
estado de choque, depois que seus nomes e apelidos foram divulgados numa certa
lista da Odebrecht.
Assim, o que me dá a total liberdade de
assumir uma posição não polarizada por nenhum dos lados, é a firme convicção de
que nem um, nem outro, é capaz de me representar politicamente, qualquer que
seja abrangência de seus atos, ou a ambiência de suas atuações. Vivemos o mais ultrapassado
e inconveniente jeito de fazer política e de governar uma população. Nenhum dos
lados é capaz de me fazer tomar partido em seu favor. Eles não têm de mim, como
de uma boa parte da população, qualquer apreço ou predileção, e ficar com o
lado menos pior, jamais foi uma opção
aceitável para mim. Ou será que invertendo
a máxima de minha avó, eu deveria considerar que antes mal acompanhado do que só?
[1] Juan Luis Segundo foi padre católico jesuíta e
teólogo uruguaio, considerado o maior expo-ente da Teologia da Libertação na
América Latina. (1925 - 1996); fonte: Wikipédia
[2] Jung Mo Sung é um teólogo católico e cientista
da religião, coreano radicado no Brasil des-de 1966. É professor titular da
Universidade Metodista de São Paulo no Programa de Pós-Graduação em Ciências da
Religião. (1957 - ); fonte: Wikipédia
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